Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 01/11/2019

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. Contudo, o que se observa na realidade  é o oposto, uma vez que a evasão escolar no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário preocupante é fruto tanto da negligência estatal, quanto da incidência de gravidez precoce. Diante disso, é importante analisar esse aspectos, a fim de que sejam superados.

Primeiramente, é fulcral pontuar a incompetência do Estado em oferecer recursos a população como promotora de parte da evasão escolar. De acordo com o Artigo 205 da Constituição Federal de 1988, a educação é um direito de todos e dever do Estado, entretanto, esse não tem sido resguardado no país. Isso porque, devido à falta de atuação das autoridades em disponibilizar acesso igualitário a vagas e instituições de ensino em todas as regiões, inclusive rurais, muitas famílias enfrentam dificuldades tanto para fazer matrícula de seus filhos, quanto para levá-los para as aulas, sendo comum a retirada das crianças da escola por conta da impossibilidade de deslocá-los até ela. Dessa forma, é flagrante o descaso estatal para com a formação educacional de crianças de regiões periféricas.

Além disso, é imperioso ressaltar que a gravidez entre os jovens contribui para a sua saída do ambiente escolar. Nessa lógica, segundo pesquisa do Ministério da Educação (MEC), 18% das meninas que param de estudar teve a gravidez como o principal motivo. Isso ocorre tanto pela discriminação vivida por adolescentes gestantes, quanto pelo escasso tempo que passam a dispor para os estudos, uma vez que a criação de um filho demandam dedicação. Em virtude disso, ocorre a nociva intensificação da desigualdade de gêneros no mercado de trabalho e, também, a prejudicial deficiência na formação técnica e cidadã dessas jovens, que passam a ficar limitadas ao ambiente do lar. Sendo assim, é primordial a mudança dessas posturas de forma urgente.

Desse modo, para que se combata a evasão escolar, o MEC deve, por meio da ampliação e construção de instituições de ensino, levar o acesso ao ensino de qualidade de forma igualitária em todas as localidades do país, inclusive as rurais, de forma que não seja necessária a matrícula dos alunos em colégios distantes de casa. Ademais, é preciso que as escolas incluam às aulas, principalmente de biologia e sociologia, conteúdos acerca da educação sexual. Isso se dará através da contratação de profissionais especializados que explicitarão a importância da proteção durante o ato sexual, a forma de uso dela e, ainda, as dificuldades enfrentadas pelos jovens em caso de uma gravidez precoce e possível saída da escola, como o desemprego e baixa renda. Assim, a Carta Magna será cumprida, no que tange ao acesso à educação por todos, e a realidade se aproximará da de More.