Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/10/2019
A obra “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley retrata um futuro distópico, em que os seres humanos são “fabricados” e divididos em castas. As inferiores não tem especialização e são destinadas para trabalhos braçais, enquanto as superiores são ensinadas, a fim de realizar serviços mais complexos. Hodiernamente, fora da ficção, apesar do governo oferecer escolarização para todos os cidadãos, percebe-se que, devido a situação econômica na qual o país se encontra, a evasão escolar é extremamente comum e isso pode gerar consequências irreparáveis. Desse modo, é imprescindível analisar as causas, bem como os prejuízos sociais dessa problemática.
A priori, compete ressaltar o que motiva esse impasse acontecer. A ditadura civil-militar brasileira ocorreu entre as décadas de 1960 e 1980, ela deixou diversas heranças negativas ao seu fim, como uma alta dívida externa. Isso resultou em problemas que ecoam até os dias atuais, pois devido a crise que o Brasil se encontra, gerada, em grande parte, pelo período ditatorial, as empresas buscam mão-de-obra barata, muitas vezes desqualificada, agravando diretamente a evasão escolar, pois nos níveis iniciais da escola há maior incidência desse tipo de trabalhador.
Outrossim, torna-se necessário analisar as consequências dessa problemática. Segundo um estudo do Aprendizagem em Foco, as pessoas que concluíram o ensino médio recebem, no geral, 885 reais, o dobro em comparação com quem não terminou os primeiros anos escolares. Logo, é notável que a mão-de-obra desqualificada, quando empregada, pode gerar aumento do número de pessoas abaixo da linha da pobreza, bem como a acentuação das desigualdades sociais. Dessa forma, é evidente que a evasão escolar trás enormes problemas a sociedade atual.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Para reduzir o incentivo dado a empregos imaturos, urge que o Legislativo crie leis específicas de valorização da mão-de-obra especializada, através do favorecimento de trabalhadores graduados, na escolha para a criação de obras públicas. Além disso, compete ao Ministério do Trabalho, a fiscalização árdua sobre a prática de salários mínimos, visando reduzir as desigualdades sociais que esse entrave causa, por meio do incentivo governamental as grandes empresas para redução da disparidade salarial dos funcionários. Somente assim, se reduziria a evasão escolar.