Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/10/2019
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - prevê a educação como direito de todos e dever do Estado e da família, visando o desenvolvimento do indivíduo e sua qualificação profissional. Em contrapartida, esse direito não é totalmente assegurado na prática, dado que o fenômeno crescente da evasão escolar diverge do que está previsto na Carta Magna, sendo motivado principalmente pela falta de interesse dos alunos e pela necessidade de trabalhar. Desse modo, torna-se imprescindível tomar atitudes com o fito de mitigar tais problemáticas e proporcionar a plena prática desse direito.
Em primeiro plano, observa-se que o desinteresse por parte dos alunos é um dos fatores principais que ocasionam o abandono escolar, já que aspectos como currículos ultrapassados nas escolas e infraestrutura precária, geram alunos desmotivados com o sistema de ensino e consequentemente promove a evasão escolar. Isso é um fato extremamente preocupante, visto que a educação é o mais importante objeto de transformação social, pois uma vez que dizia o filósofo Paulo Freire, patrono da educação brasileira, se a educação sozinha não consegue transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade pode mudar. Sendo assim, é indispensável minimizar tais adversidades.
De outra parte, percebe-se que a necessidade de trabalhar atua como fator preponderante para o processo de evasão nas instituições escolares, haja vista que motivados pela desigualdade social que assola o país, crianças e jovens trabalham a fim de complementar a renda familiar, sendo necessário muitas vezes abandonar os estudos. Essa prática gera maior propensão à marginalidade e a inserção precária no mercado de trabalho. Esse fato explicita a influência da questão econômica na educação, uma vez que o sociólogo Zygmunt Bauman aduz que o sistema escolar serve como mecanismo na reprodução de privilégios e desigualdades sociais. Logo, é fundamental atenuar tais empecilhos.
Urge, por conseguinte, tomar as medidas cabíveis com a finalidade de reduzir os problemas em questão. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação, destinar grande parte das verbas para uma reforma no currículo escolar, inserindo oficinas interdisciplinares, utilizando a tecnologia como meio de estímulo aos estudantes para tornar o aprendizado mais prazeroso; bem como deve analisar as condições infraestruturais nas escolas e dispor de recursos financeiros para as instituições com o fim de garantir o bem-estar dos alunos. Ademais, é de responsabilidade das escolas, prestar apoio psicopedagógico aos alunos com o intuito de identificar problemas familiares, especialmente de cunho financeiro, que podem ocasionar a evasão escolar. Dessa forma, o país alçará a posição de Estado Democrático de Direito, cumprindo na prática, o direito à educação.