Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/10/2019
A educação é um direito de todos e um dever do Estado, segundo a Constituição Brasileira de 1988. Ela é um dos pilares do desenvolvimento social, no entanto é cada vez maior o índice de crianças e jovens que estão fora das escolas. Dados do Censo Escolar de 2018 mostram que o número de matrículas na Educação Básica caiu 3,1% em relação a 2017. Dentre as causas desse alarmante índice, a dinâmica familiar ainda é o maior desafio de educadores contra a evasão escolar.
É notório que a situação social de diversas famílias brasileiras reflete na educação de seus filhos. Quanto menor a renda per capita, maior a chance da criança ou adolescente abandonar os estudos para buscar formas de ajudar os pais com as despesas de casa. A legislação brasileira proíbe que meninos e meninas trabalhem antes de completarem 18 anos, salvo em casos de programas como Jovem Aprendiz, no qual concilia-se o estudo e o trabalho. Por isso mesmo, na maior parte dos casos, essas crianças e adolescentes trocam as carteiras, o caderno e os livros por empregos informais, sem qualquer direito trabalhista e que pouco acrescentarão ao seu futuro.
Além disso, outro motivo para a crescente evasão escolar é a gravidez na adolescência. A série “Segunda Chamada”, no ar na TV Globo, mostra os desafios enfrentados pelos educadores em uma escola da periferia. Uma das alunas, Solange, é obrigada a frequentar as aulas com o seu bebê, pois não tem com quem deixar a criança enquanto estuda, fato que corrobora com a realidade brasileira. Diante da dificuldade de conciliar os estudos com o “ser mãe”, essas jovens se veem obrigadas a abandonarem as salas de aula, deixando de lado o seu direito ao estudo e as oportunidades de um futuro melhor.
Dessa maneira, faz-se necessário um olhar mais cuidadoso de autoridades e educadores para o histórico familiar de crianças e adolescentes matriculados nas escolas, a fim de buscar formas de reduzir a evasão escolar. Neste sentido, cabe aos educadores humanizar as relações dentro da comunidade escolar com a identificação de estudantes vulneráveis, a sua orientação e supervisão, a fim de entender a dinâmica de vida de cada. Paralelamente, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, fortalecer programas como o Jovem Aprendiz, de forma a ampliar o acesso legal de adolescentes ao mercado de trabalho formal, atrelando o trabalho à obrigatoriedade da matrícula escolar. Além disso, fortalecer dentro das escolas o debate acerca da sexualidade, promovendo o acesso dos adolescentes à informação, de forma a incentivar a prevenção da gravidez precoce.