Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 28/10/2019

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu artigo 54º, afirma que é dever do estado assegurar à criança e o adolescente gratuitamente o acesso ao ensino fundamental e progressiva extensão ao ensino médio. Entretanto, tal direito não tem sido assegurado a todos jovens brasileiros, visto que observa-se no Brasil números extremamente elevados de evasão escolar. Com isso, convém analisar as causas, os efeitos e a possível solução para esse impasse.

Precipuamente, é indeclinável analisar as consequências socioeconômicas causadas nos jovens que abandonam os estudos de maneira precoce. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1,3 milhões de jovens entre 15 e 17 anos não concluíram os estudos, dos quais 52% sequer finalizaram o ensino fundamental. Logo, todo esse subgrupo torna-se vulnerável e terá sua inclusão ao mercado de trabalho dificultada, visto que a grande maioria das vagas ofertadas tem como requisito mínimo ao menos o ensino fundamental completo. Ademais, é importante analisar também o motivo da evasão. Problemas como dificuldade no transporte, falta de merenda e pouco apoio parental são fatores que contribuem para a perpetuação desse infortúnio. Portanto, faz-se mister que haja uma reeducação do jovem brasileiro no que concerne a finalização de seus estudos.

Outrossim, segundo o filosofo iluminista suíço Rousseau, a educação deve, a priori, despertar o interesse do aluno. Para isso, é necessário que ela seja lúdica, progressiva e interativa. Entretanto, o estilo de ensino difundido no Brasil ainda é do século XIX, em que os alunos não são instigados a refletir e participar em debates, uma vez que em tal modelo o professor é quem ministra integralmente a aula sem maior interesses no diálogo acerca da temática exposta. Destarte, a monótona transmissão de conhecimentos contribui para a evasão escolar, que de acordo com o Programa Nacional de Educação, alcança aproximadamente 11% do número dos alunos matriculados nas redes de ensino de todo o país.

Logo, medidas são necessárias para resolver este problema. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, por meio de investimentos na educação de base brasileira, realize uma mudança estrutural no sistema educacional do país. Assim sendo, é fulcral que seja desenvolvido um projeto pedagógico moderno e adaptado ao século XXI. Além disso, também é necessário fornecer incentivos econômicos para que todas as famílias possam manter seus filhos nas escolas, nunca faltando merenda ou transporte para qualquer jovem brasileiro. Dessa forma o Brasil finalmente respeitará completamente o 54º artigo do Estatuto da Criança e do Adolescente.