Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 28/10/2019
No filme “O menino que descobriu o vento”, o protagonista, um garoto em idade estudantil, é obrigado a abandonar o sonho de frequentar a escola para ajudar seu pai na lavoura da família. Nesse contexto, são retratados o esforço do garoto para permanecer na escola, bem como a indubitável importância que a educação exerce na formação individual. Fora da ficção, a evasão escolar ainda é uma mazela social recorrente no cenário brasileiro. Dessarte, o trabalho infantil aparece como expressiva causa do abandono dos estudos, situação que pode acentuar o surgimento de subempregos e do microtrabalho.
Primeiramente, nota-se a persistência do trabalho infantil como fundamental impulsionador da evasão escolar. Nessa perspectiva, a necessidade de que muitas crianças e jovens auxiliem os pais na renda da casa impossibilita a devida frequência no colégio. Diante das altas cargas horárias conferidas e do cansaço a que tal público é submetido, o abandono dos estudos aparece, muitas vezes, como única solução viável.
De acordo com o ex presidente da África do Sul, Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo. Nesse sentido, a deserção escolar configura indivíduos com menos oportunidades de ascensão social no futuro. Logo, tais pessoas serão obrigadas a ocupar subempregos ou recorrer ao microtrabalho para obterem sustento, áreas que certamente conferirão retorno precário ao trabalhador. Tal contingente de cidadãos de baixa renda gerará uma nova demanda pelo auxílio juvenil no trabalho, contribuindo para a perpetuação do problema da evasão dos estudos.
Portanto, é imprescindível que o Ministério do Trabalho promova a criação de leis que anulem definitivamente os casos de trabalho infantil. Dessa forma, os jovens terão todo o tempo necessário voltado ao processo educativo, contribuindo para a sua eficaz formação como cidadãos brasileiros. Ademais, o Estatuto da Criança e do Adolescente deve incentivar o surgimento de ações sociais que objetivem assegurar efetivamente a inserção da juventude nas escolas. Assim, tal parcela social terá seu direito à educação assegurado e suas oportunidades de ascensão social, ampliadas.