Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/10/2019
O filósofo alemão Hegel, no século XIX, propõe uma analogia cujo teor auxilia a pensar nas questões sociais que envolvem o curso da história: “A coruja de minerva só voa ao anoitecer”. Nesse sentido, sua proposição revela que é preciso um decorrer de tempo a fim de que o Homem alcance sabedoria para lidar com suas questões desafiadoras. Tendo isso em vista, percebe-se que, na contemporaneidade, os impactos da evasão escolar na realidade brasileira acentuam-se devido ao Estado falhar em assegurar com inteligência suporte educacional digno para comportar os alunos nas escolas do país, sobretudo as que se encontram em áreas marginalizadas socialmente, de modo que os entraves se potencializam devido à negligência governamental e à lenta mudança do perfil educativo.
De fato, há contratualmente a missão de a constituição ser cumprida por todos os governos. No entanto, podem-se perceber comportamentos omissos por parte do Estado, haja vista que as instituições públicas de ensino apresentam infraestrutura precária, com escassos recursos básicos necessários em uma sala de aula, a exemplo da inexistência de cadeiras confortáveis, importante para proporcionar uma melhor assimilação dos conteúdos. A exemplo do exposto, é cabível pontuar dados coletados pelo Observatório do Plano Nacional de Educação, em 2017, no qual consta que apenas 4,7% das escolas do país apresentam infraestrutura minimamente digna para comportar os alunos. Logo, a responsabilidade que cabe ao Poder Público se apresenta de forma parca, falhando em cumprir o artigo 6 da Constituição e o inalienável direito à educação de qualidade pertencente ao homem.
Além disso, vale pontuar o arcaico método de ensino presente no Brasil. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo pós-contratualista Stuart-Hall, no qual conceitua o indivíduo inserido na pós-modernidade como detentor de múltiplas identidades. Sendo assim, a troca de informações entre os alunos e o educador estão em constante crescimento, não podendo ser limitado pelo modelo apático no qual o processo pedagógico atual está inserido, onde o discente não interage com a turma na forma de debates acerca dos assuntos aprendidos, por exemplo. Com isso, torna-se evidente os números crescentes da evasão escolar hodierna, sendo, deste modo, lógico adaptar o contexto educacional para uma forma mais lúdica e interativa no que tange à participação dos educandos.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater a evasão escolar no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, junto ao Governo Federal, investir na reestruturação educacional, a partir da mudança da grade curricular que ofereça uma maior interatividade dos alunos nos conteúdos ministrados, a fim de estimular a continuidade dos mesmos no ambiente escolar. Desse modo, o Brasil será capaz de alçar o voo proposto por Hegel.