Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 28/10/2019
" A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo". Foi com essa frase que, em 2003, Nelson Mandela defendeu seu ponto de vista sobre o futuro da África do Sul. No entanto, na realidade brasileira, a persistência da evasão escolar não corrobora esse pensamento. Dessa forma, o abandono dos estudos é um ciclo mantido, seja pela desigualdade social, seja pela inadequação da escola ao contexto do aluno.
Em primeiro lugar, crianças e adolescentes, em situação de vulnerabilidade social, estão mais propensas a desistência escolar pela influência negativa do ambiente que convivem. Segundo Nietzche, em seu conceito de efeito manada, os indivíduos tendem a repetir o padrão de comportamento do grupo social ao qual estão inseridos. De forma análoga, ao relacionar-se em um núcleo familiar onde os membros não possuem alta escolaridade, nem moradia e alimentação adequada, o menor não percebe estímulos a sua continuidade nos estudos e mantém o ciclo da desigualdade.
Outrossim, apesar do Estatuto da Criança e do Adolescente garantir o direito à educação, as escolas não estão preparadas para atender às particularidades de cada um. Conforme Hanna Arendt, " a pluralidade é a lei do mundo". Por conseguinte, infere-se que padronizar o ensino não fomenta o interesse do estudante, mas exclui aqueles que possuem dificuldades, a exemplo de defasagem no aprendizado. Consequentemente, a conjuntura supracitada favorece a evasão escolar.
Portanto, são necessárias ações para mitigar essa problemática. Urge que as Secretarias de Educação estaduais em parceria com os Conselhos Tutelares, criem um programa de apoio ao menor em risco de abandono escolar. Devem ser constituídos núcleos nas escolas, com a participação de professores e assistentes sociais, para monitorar os estudantes e suas famílias e promover atendimento individualizado acerca de suas dificuldades. Destarte, a educação será a arma da sociedade brasileira.