Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 28/10/2019
No livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é retratado a vida de Fabiano no Sertão nordestino, que nunca frequentou a escola. Dessarte, a ficção ratifica os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontou o Nordeste como a região de maior índice de evasão escolar do Brasil. Nesse contexto, é notório que o óbice é pertinente na contemporaneidade brasileira, pois há uma grande desigualdade socioeconômica no país. Assim, a saída dos jovens da escola é concretizada, seja pela inserção no mercado de trabalho, seja pelo desinteresse dos adolescentes.
Mormente, sabe-se que desde o período escravista o Brasil vivencia uma desigualdade econômica, que na sociedade vigente fomenta a adesão precoce dos jovens à busca de emprego. Sob essa ótica, 4 em cada 10 adolescentes não concluem o ensino médio, segundo o levantamento do IBGE, visto que alguns indivíduos necessitam complementar a renda familiar. Dessa forma, sujeitam-se à trabalhos precários de mal remuneração, entretanto, podem não conseguir serviços fixos, um vez que não terão concluído o ensino básico e nem serão especializados.
Em segundo lugar, é notório que o desinteresse nos estudos é uma das causas da evasão escolar. Acerca disso, o filme norte-americano “Escritores da liberdade” mostra essa desestimulação, dado que os são jovens marcados pela violência e pelo preconceito presentes na cidade onde vivem. Ademais, o filme tem uma verossimilhança com a realidade brasileira, visto que o conflito entre o Estado e o tráfico é uma realidade em várias cidades do país, no qual muitos adolescentes de comunidades vivenciam esse contexto de dualidade, cotidianamente. Desse modo, crianças são seduzidas pelo tráfico e abandonam as escolas, a qual não vêem vantagens.
É mister, portanto, que o Estado tome providência para amenizar o problema da evasão escolar. Logo, cabe ao Ministério de Educação e Cultura junto com os Governos Estaduais e Municipais, que invistam, por meio de verbas públicas, em reuniões de pais nas escolas, a fim de que os professores possam conversar com os responsáveis sobre a importância de manter seus filhos na escola para que possam ter um trabalho e futuro melhor. Somado a isso, é importante que a escola e o conselho tutelar procurem as famílias que não comparecerem às reuniões, com a finalidade de entender os motivos e tentarem auxiliar de alguma forma, encaminhando-as para serviços sociais, se for o caso. Por fim, essa proposta tem como o objetivo a atenuação da evasão escolar para que a desigualdade possa ser minimizada.