Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 04/09/2019

Ao descortinar do século XX, em decorrência da Terceira Revolução Industrial, a produção e acesso à informação têm sido de grande importância. Entretanto, ainda existe uma grande parcela da população que, devido ao descaso governamental e fatores socioeconômicos, evade das escolas e não desfruta dos benefícios de uma educação de qualidade. Tal assunto, por colocar em xeque o futuro das crianças e adolescentes, deve ser encarado como sério problema inerente a nação.

Em primeira análise, é importante ressaltar que esse fenômeno vai de encontro à premissa do sociólogo Flaubert, que diz que o investimento na educação não é e nunca será um desperdício. A realidade do precário sistema de transporte escolar, principalmente para os habitantes da zona rural, e o problema na gestão e divisão de recursos para as instituições, cria grandes barreiras para o interesse do aluno. Esse cenário é um dos principais responsáveis pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que revelam haver 1,3 milhão de jovens entre 15 e 17 anos que deixaram a escola sem concluir os estudos.

Outrossim, está a esfera familiar do grupo afetado. O retrato econômico de crise financeira nacional serve como justificativa imediata para a perspectiva Maquiavélica de que os fins justificam os meios, ou seja, para ajudar no sustento familiar, o jovem evade da escola precocemente sem pretensão de retornar. Ademais, além de prejudicar diretamente a vida do indivíduo, As principais consequências para a sociedade se relacionam à violência, à criminalidade, à saúde e ao desenvolvimento econômico. No campo da segurança pública, a relação entre escola e crime é clara: muitos jovens que saem da escola se envolvem com o tráfico de drogas e com organizações criminosas. Estima-se que, para cada jovem que não conclui o ensino médio, o país tem um gasto de R$ 18 mil reais a mais no combate à violência e à criminalidade. Destarte, medidas enérgicas são necessárias para reverter esse cenário.

Urge, portanto, a necessidade do combate à evasão escolar. Logo, o Congresso Nacional, enquanto instância legisladora da União, deve destinar para as escolas o aumento de verbas para a contratação de serviços de transporte de qualidade, com o intuito atingir as camadas desfavorecidas, bem como a instauração de órgãos fiscalizadores capazes de denunciar o desvio e má gestão dos. Ao mesmo tempo, cabe às Prefeituras, aliadas ao setor midiático, a propagação de incentivo à adesão escolar, mostrando os benefícios e auxílios que uma boa educação é capaz de proporcionar. A articulação dessa pluralidade, portanto, será crucial para o aproveitamento ideal dos avanços proporcionados pela Revolução Industrial, formando uma sociedade frente ao seu desenvolvimento.