Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 04/09/2019

Durante o século XVIII, iniciado na Inglaterra, o movimento iluminista ganhou repercussão e apoio de renomados filósofos e artistas. Assim, tendo em vista o seu caráter racionalista, suas principais vertentes estavam pautadas tanto na educação, quanto na igualdade dos direitos. Contudo, na esfera coetânea, considerando a crescente evasão escolar na realidade brasileira, os princípios iluministas são colocados de lado, sendo o descaso governamental, bem como a desigualdade social impasses para a resolução da problemática.

Sob esse viés, a PEC 241 é caracterizada como uma emenda constitucional que visa o corte do teto de gastos da educação brasileira, aprovada em 2016, no governo de Michel Temer. Dessa forma, tendo em vista a realidade nacional, a precariedade do sistema educacional, exemplificada pela falta de materiais didáticos, assim como de estrutura, auxilia para a saída de jovens do ambiente de ensino. Além do mais, o acesso do direito à educação, como dever do Estado - seguindo ideais aristotélicos de responsabilidade governamental, não é assegurado. Logo, a falta de representatividade política gera a inércia do imbróglio, como também o despreparo dos adolescentes para o mercado de trabalho.

Nesse ínterim, cabe citar a série brasileira “Sintonia”; lançada no ano vigente, a arte cinematográfica busca demonstrar a realidade dos adolescentes na periferia perante a busca pelos sonhos e a desigualdade socioeconômica. Destarte, é observado a escassez de oportunidades dentro das escolas, visto o ensino mecanizado, sobretudo em locais desfavorecidos. Outrossim, a falta de “interacionismo”, classificado pelo pensador Piaget como a união entre o compartilhamento de conhecimento e a realidade do aprendiz, propicia a evasão escolar. Por consequência, o segregacionismo social cria o desinteresse dos alunos em aprender, além da busca de novos meios de ascensão que não sejam através dos estudos, como as vendas de drogas e a violência urbana.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação em conjuntura à Receita Federal, como órgãos responsáveis pelo desenvolvimento do país, investir nas escolas, principalmente nas periferias e comunidades carentes. A ação deverá ser concretizada através da liberação de verbas para a melhoria da estrutura do ambiente escolar, bem como para projetos, como as oficinas - nas quais os estudantes deverão possuir atividades extracurriculares, como computação e empreendedorismo. Assim, com a representatividade do governo, os jovens conquistarão o interesse pelo conhecimento, além de especialização para o exercício da carreira profissional, amenizando a evasão escolar brasileira.