Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 26/08/2019
A população escrava não tinha acesso à educação escolar. As crianças negras, até por volta dos sete anos, participavam da vida social na “Casa Grande”. Após esta idade passavam a ser utilizados no trabalho escravo, crescendo distantes da educação das “letras e números”. A herança pela não educação e pela secundariedade do ensino escolar vai transcorrer séculos, perdurando na organização escolar até os dias atuais. Por isso, torna-se necessário o debate acerca do aumento dos índices de evasão escolar no cenário brasileiro.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função da falta de interesse e motivação dos alunos, ligadas principalmente à questões financeiras, o jovem estudante, encontra, durante seu percurso escolar, diversos obstáculos que vem a contribuir para a manutenção das desigualdades sociais. Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, quase quatro em cada dez brasileiros de 19 anos não concluíram o ensino médio em 2018. Entre eles, 62% não frequentam mais a escola e 55% pararam de estudar ainda no ensino fundamental. Dessa forma, a falta de qualificação por meio da não conclusão dos estudos, fomenta a dificuldade para se conseguir uma vaga de emprego e reflete no baixo índice de escolaridade do país.
Por conseguinte, o déficit na estrutura do ensino básico, já há muito saturado, seja por meio da má gestão de governos anteriores, como pela falta de investimentos na preparação de professores, corrobora para que o quadro se torne ainda mais preocupante. Paralelamente, para Hannah Arendt, educar é acolher os jovens em um mundo que existe antes do seu nascimento, mas que será renovado pelas novas gerações. Além disso, a educação deve contribuir para que as crianças desenvolvam sua singularidade. Verifica-se, portanto, o impacto da educação na vida do indivíduo, que infere diretamente na sociedade como um todo.
Em suma, são necessárias medidas que atenuem a evasão dos estudantes nas escolas brasileiras. Logo, a fim de dar liberdade de escolha ao indivíduo, cabe ao governo promover projetos de integração por meio da qualificação técnica - que vem a contribuir com a renda familiar - e, também, do acompanhamento psicológico desses estudantes, criando uma rede de assistência através de diferentes órgãos. Ademais, compete à família dar apoio a trajetória escolar dos jovens, de modo a cobrar e pressionar a manutenção da frequência de presença nas aulas. Enfim, a partir dessas ações, espera-se superar essa mazela presente desde o período colonial e mais um dos muitos resquícios de uma sociedade subalterna, pois apenas por meio da educação esse percalço será superado.