Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 25/08/2019

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, caberia à Sociologia o estudo dos fatos sociais. Estes, por sua vez, consistiriam em maneiras de agir, pensar e sentir, dotados de coercitividade, exterioridade e generalidade sobre o indivíduo. Dessa forma, considera-se a evasão escolar no Brasil, um fato social, uma vez que manifesta-se fora das consciências individuais, mas que impõe-se como norma imperativa ao influenciar os hábitos e costumes de uma sociedade. Com efeito, o debate sobre a gravidez precoce e a necessidade de trabalhar por parte dos alunos é o caminho a ser trilhado para mitigar esse impasse.

Em primeiro plano, é importante evidenciar que a gravidez precoce é prejudicial ao prosseguimento dos estudos, visto que não permite ao estudante acompanhar o desenvolvimento escolar por um período de tempo considerável, portanto, favorece a evasão escolar. Nesse cenário, atrapalha o avanço dele no âmbito social. Assim, diminui sua probabilidade de conseguir um bom emprego, é o que aponta uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse modo, o país também sofre, pois perde um futuro trabalhador, o que contribui para diminuição do aproveitamento dos cidadãos brasileiros no setor econômico.

Por outro lado, a necessidade de trabalhar, mormente, dos educandos oriundos de famílias mais humildes, favorece essa intempérie. Nessa perspectiva, o jovem, na maioria das vezes, chega atrasado e cansado na sala de aula, em virtude disso, o desinteresse nos estudos surge. Com isso, começam as faltas, as reprovações, o que culmina no abandono escolar. Sob outra perspectiva, o desinteresse pode ser promovido pela própria escola. Falta de qualificação dos docentes e de uma didática que mantenha o aluno focado, assim como a falta de estrutura do local, são exemplos a serem considerados.

Infere-se, portanto, que essa problemática tem reflexos negativos no mundo todo, principalmente, no corpo social brasileiro. Nesse sentido, a fim de mitigar esse problema, a princípio, a escola em colaboração com os profissionais da saúde, devem esclarecer para a sociedade, por meio de palestras e debates, os problemas resultantes da gravidez precoce e de como evitá-la. Ademais, os conselhos tutelares municipais devem aumentar a fiscalização nas escolas sobre o número de faltas dos alunos para prevenir a evasão escolar. Por fim, o Estado, no geral, deve investir mais na capacitação do corpo docente e infraestrutura das escolas. Somente assim, com a aplicação dessas ideais, será possível, por conseguinte, resolver esse infortúnio na sociedade.