Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/07/2019
Ainda que seja um direito assegurado pela Constituição, o acesso de crianças e adolescentes à escola não é uniforme no Brasil. Pode-se apontar como principais propulsores dessa realidade a desigualdade social e seus desdobramentos, bem como a precarização do ensino público. Entretanto, mesmo com as adversidades, é primordial que a escola seja presença constante na vida dos jovens.
Segundo dados disponibilizados pelo IBGE, em 2018, a cada dez jovens de dezenove anos, quatro não concluíram o ensino médio; entre esses, mais da metade parou de estudar no ensino fundamental. Tal conjuntura deriva de diversos motivos, entre eles a infeliz desigualdade social presente no país, a qual ocasiona a entrada precoce de inúmeros jovens no mercado de trabalho. Apesar de o trabalho formal ser permitido a jovens a partir dos quatorze anos – através de projetos como Jovem Aprendiz e estágios -, muitos adolescentes procuram empregos informais, a fim de ajudar na renda da família. Entretanto, as dificuldades de conciliar o trabalho com a vida escolar são inúmeras e, na maioria das vezes, entre o trabalho e a escola, o estudante acaba abandonando os estudos. Constitui-se, assim, uma realidade preocupante e que urge de mudanças, posto que, ao não frequentar a escola, o cidadão aumenta exponencialmente suas chances de manter-se à margem da sociedade.
Além dos imbróglios relacionados à necessidade de auxiliar na acumulação de renda familiar, pode-se citar como fator impulsor a precarização do ensino público brasileiro. Essa precarização abrange não só a infraestrutura da instituição escolar, mas também as condições de acesso que o estudante possui, assim como a qualidade do ensino que está recebendo. As condições socioeconômicas influenciam não só a necessidade de trabalhar, como também a região em que o jovem mora e os investimentos que essa recebe; em zonas rurais, por exemplo, o IBGE afirma que apenas 47% dos jovens termina o ensino médio. Nesse sentido, é pertinente abordar a importância de um projeto de ensino atraente e um ambiente escolar acolhedor, visto que ambos influenciam o interesse do aluno em frequentar a escola. A vontade de se inserir no ambiente de ensino é ponto de partida para que os obstáculos que impedem o jovem sejam minimizados.
Portanto, diante da problemática dos altos índices de evasão escolar presentes no Brasil, são necessárias mudanças. Faz-se fundamental que a escola possua mecanismos de controle da presença dos alunos, como as chamadas no início da aula, a fim de reconhecer os estudantes que estão ausentes. A partir desse levantamento, é crucial a integração da escola com a realidade doméstica do jovem e, caso a família não ofereça suporte, a realização de um trabalho em conjunto com o Conselho Tutelar. Dessa forma, futuramente, será possível minimizar os números de abandono escolar no país.