Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 28/07/2019
Durante o século XVI, período de escravidão no Brasil, muitas crianças e adolescentes eram privados da educação colegial devido à situação hierárquica e estamental da sociedade. Nos dias atuais, o cenário escolar ainda está problematizado, haja vista a significativa evasão da mesmo devido a inúmeros e distintos aspectos, entre eles a necessidade da inserção precoce no mercado de trabalho, bem como a falta de aproximação entre escola e vida pessoal e familiar do aluno.
Em primeira instância, a escolha pela entrada prematura no mercado de trabalho, ainda que informal, em detrimento da formação escolar é uma realidade no cenário brasileiro desde a Revolução Industrial, que chegou no país apenas no final do século XIX. Tal aspecto leva em consideração, na maioria das vezes, a situação financeira da família do indivíduo, o qual abandona os estudos para ajudar no sustento familiar. Consequentemente, a educação universitária e o ingresso no mercado de trabalho formal ficam comprometidos, acarretando, muitas vezes, uma precariedade nas condições de vida do cidadão.
Ademais, a relação familiar e pessoal do estudante está intimamente ligada ao sucesso educacional do mesmo. Dessa forma, o processo estudantil, muitas vezes mecanizado e “inumanizado”, deve se adequar à realidade de vida do aluno, e não o contrário, para que esse não veja na evasão escolar uma melhor solução e perspectiva de futuro. Assim, de acordo com o psicólogo russo Lev Vygotsky, a vida pessoal não deve se afastar da escola. À vista disso, o aluno teria na educação, uma motivação e um panorama de sucesso a longo prazo.
É necessária, portanto, uma análise em torno da evasão escolar no Brasil, bem como sua amenização. Para atenuar tal problemática, o Ministério da Educação juntamente às Secretarias Municipais de Educação devem aumentar o interesse das crianças e adolescentes pelos estudos, por meio de projetos que aproximem esses da realidade daqueles, além de promover acompanhamento psicológico aos alunos visivelmente necessitados, para que a mecanização escolar dê espaço à sua humanização.