Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 26/07/2019

No livro “Triste fim de Policarpo Quaresma”, obra do escritor Lima Barreto, é retratado a perspectiva de Policarpo diante de sua realidade, pois ele não enxerga apenas um Brasil, e sim vários “brasis”. Da mesma forma, não encontra-se apenas uma forma de educação no país, existem as realidades precárias, como também as desenvolvidas. Uma dualidade que a sociedade brasileira se acostumou a presenciar, sendo uma delas, a notória evasão escolar que permeia adolescentes e jovens subtraindo-os do sistema educacional por diversos fatores. Dessa maneira, é essencial a discussão sobre as dificuldades enfrentadas por esses grupos e os reflexos dessa problemática no corpo social.

Analisa-se, de início, que os fatores primordiais para a manutenção de tal situação residem em um sistema atual que não possui  atrativos, que incentive os jovens a prosseguir estudando e também, na falta de estímulo dos pais e responsáveis. No Brasil, grande parcela dos jovens possuem desinteresse relacionado à escola, pois o currículo não contribui para uma efetiva dedicação. A falta de foco, com excesso de conteúdo e ausência de contextualização estão entre as críticas mais frequentes, porém existe também um problema conceitual como, por exemplo,  aulas sem a participação dos alunos, que se limitam a ouvir e anotar. Prova disso é que segundo uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, 40,3% dos jovens  de 15 a 17 anos tinham abandonado os estudos por falta de interesse.

Pontua-se, ainda, que a falta de interesse nos estudos, pode acarretar em reflexos do profissionalismo que será encontrado no futuro, pois diante de uma juventude carente de educação e “destinada” a trabalhos informais, os prejuízos não afetarão apenas esse grupo, mas sim toda a sociedade. Apesar disso, a maioria dos jovens que abandonam a escola pertencem a grupos mais humildes, que não veem um sistema que conduza a sua realidade, preservando, assim, um método decorativo e não humanitário/crítico. Tal fato acaba por gerar um sentimento utópico, pois o que aprendem na escola não  condiz com a forma em que vivem e muito menos com sua realidade.

Compreende-se, portanto, que ações devem ser feitas em prol de uma juventude mais sólida e pronta para vencer os obstáculos. Assim, urge que o Ministério da Educação imprima novos métodos de ensino, sendo necessário uma nova grade curricular que abarque não apenas matérias, mas sim o lado humanitário do indivíduo. Realizando, dessa maneira, com o apoio de professores e pessoas convidadas, discussões sobre diversos problemas enfrentados pela sociedade, para que possam refletir sobre isso e desenvolverem meios para solucioná-los. Ofertando também a tecnologia para influenciar os alunos a realizarem projetos que possam mudar a sociedade e ,consequentemente, suas vidas. Dessa forma, poderá haver uma verdadeira mudança nos “brasis” de Policarpo Quaresma.