Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 28/07/2019
“Sem ter com quem seus irmãos ficarem, Maria começou a faltar aulas, agora ela precisa trabalhar e decidiu que não mais irá estudar”. Essa narrativa fictícia, embora verossímil, retrata a realidade de milhares de brasileiros que necessitam sair da escola, o que causa o problema chamado evasão escolar, o qual necessita ser analisado.
Em primeiro plano, as causas que levam à evasão está na estrutura socioeconômica brasileira. De acordo com dados do IBGE, 676 mil jovens, na faixa etária dos 15 aos 17 anos, não concluíram o ensino fundamental, este que é obrigatório por lei e fulcral para adquirir os conhecimentos básicos. Todavia, tal dado se observa, predominantemente, em localidades de menor renda, ainda assim, o baixo IDH e as altas taxas de natalidade são refletidos nessa parcela da população. Paralelamente, como afirma o educador Paulo Freire, a educação é quem permite o progresso do ser. Porém, diante a soma dos fatores, não basta ofertar ensino se o meio impede que se usufruam deste.
Por conseguinte, milhares de jovens precisam deixar as instituições de aprendizagem. Tendo em vista, apesar da idade, estes já possuem certas responsabilidades, seja trabalhar ou cuidar dos irmãos, ou, em outros casos, falta acessibilidade, por exemplo do meio de transporte para se deslocar à escola. Esses são desafios diários que têm resultados diretos no futuro deles,como no mercado de trabalho. Mas, o Estado-responsável pelo bem-estar social- aparenta estar em uma’‘cegueira branca’’, como o escritor José Saramago descreve: sabe o que acontece, porém finge não ver.
Destarte, diante ao exposto, tirar as vendas para a realidade é o primeiro passo para enxergar como diminuir a evasão escolar. Nesse sentido, o Ministério do Desenvolvimento Social, com o MEC, devem desenvolver um projeto dentro das escolas que permitam os jovens empreender, por meio da venda de lanches ou artesanatos,seja em eventos ou nos intervalos, a fim de que estes possam estudar e também ajudar suas famílias. Assim, Maria e muitos jovens não precisarão deixar os estudos.