Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/07/2019
Estudar é, sem dúvida, um enorme privilégio que o indivíduo moderno possui. Pois através dessa dádiva é possível desenvolver a capacidade de entendimento do mundo, instrução técnica e uma melhor reflexão acerca de qualquer situação. No entanto, o cenário brasileiro vigente indica que uma grande parcela da população jovem está sendo privada de tal benefício, fato que se escora na grande vulnerabilidade social dos evadidos e no sistema educacional ultrapassado.
Em primeiro lugar, dentre as principais razões do abando escolar estão a necessidade de ter que trabalhar em tenra idade e a falta de estrutura familiar. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de jovens fora da escola na faixa dos 15 a 17 anos já alcança os 15%, nesse contexto uma análise um pouco mais profunda permite enxergar que essa parcela está concentrada nas família mais pobres e com pais sem instrução. Dessa forma, o filho desse seio encontra menor suscetibilidade à largar os estudos pela falta de exemplo, diálogo, renda e a inexistência de perspectiva de futuro.
Outrossim, o sistema educacional hodierno falha em diversos aspectos, contribuindo para o auto desligamento. Não raramente, é comum a pergunta em tom provocativo feita pelo estudante: “para que vou usar isso na minha vida?”, esse questionamento só demonstra de forma clara que o indagador não sente o papel transformador da educação agindo em si. Sob tal ótica, essa falha de coesão entre indivíduo e instituição advém da inexistência de parceria entre aluno e escola no processo educativo, uma vez que vigora somente o repasse de informação. Destarte, a evasão escolar brasileira mostra-se ter raiz na falta de infraestrutura familiar e na necessidade de reformulação no ensino.
Faz-se mister, então, que o Ministério da Educação (MEC) instale, em todo o território nacional, o programa “professor articulador”, no intuito de que o profissional educador seja preparado, anteriormente em sua graduação, ou posteriormente por meio de treinamentos, visando ter um lecionador capaz de efetuar visitas periódicas às famílias com jovens sujeitos a evasão para muni-los de instrução e acompanhamento. Com efeito, na parceria entre família e escola lutando juntos para contornar a problemática, diminuindo o quadro de alunos que não sentem encorajamento por parte da família e nem acolhimento por parte da escola.