Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 10/08/2019
A escola é um ambiente propício ao aprendizado e ao desenvolvimento das habilidades intelectuais e sociais. Embora a educação seja um direito, os altos índices de evasão escolar denotam falhas no que tange à garantia daquela por parte das instituições responsáveis, o que têm gerado complicações na vida adulta. Assim, faz-se necessário a mitigação desse entrave para o desenvolvimento nacional.
Em primeira instância, é importante ressaltar que o abandono das salas de aula fere tanto a legislação quanto a dignidade da pessoa humana. Nesse sentido, a Constituição Federal Brasileira estabelece a obrigatoriedade do ensino fundamental para crianças de 6 a 14 anos e cabe à família e ao Estado zelar pelo cumprimento de modo integral. Entretanto, a realidade mostra a negligência de agentes públicos e a passividade de pais e responsáveis em ações voltadas para a permanência no meio educacional. Assim, esse precioso direito não é garantido como deveria com custos às capacidades e oportunidades que poderiam ser geradas por meio dele.
Ademais, a destituição do período escolar pode ocasionar o analfabetismo funcional na fase adulta, condição que pode significar grandes riscos. Por esse viés, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatou que cerca de 30% da população desse país apresenta dificuldades para se expressar usando letras e números. De fato, os indivíduos que não completam os estudos estão mais propensos à incompreensão de textos simples e aos erros de cálculos utilizando operações básicas. Tal situação eleva a vulnerabilidade a constrangimentos e estelionatos, além de conduzir às precárias colocações no mercado de trabalho. Dessa forma, percebe-se que a ausência educacional acarreta consequências nocivas a longo prazo.
Urgem, portanto, medidas cabíveis à reparação desse quadro de modo que o direito à educação seja respeitado e, assim, a possibilidade de ascensão social e cognitiva seja proporcionada. Para isso, o Ministério da Educação, em conjunto com o Conselho Tutelar, deve enviar assistentes sociais e psicopedagogos até às famílias a fim de verificar o motivo das faltas escolares e promover políticas públicas que facilitem a frequência, como a disponibilização de ônibus gratuitos. Já em relação aos analfabetos funcionais, essa mesma pasta governamental pode realizar atividades sociais por meio do recrutamento de professores aposentados, os quais ajudariam aqueles a desenvolver leitura, interpretação e resolução de contas aritméticas. Por esses caminhos, então, será possível aumentar o nível de escolaridade da sociedade brasileira e torná-la apta a construir uma nação mais solidária e eficaz