Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/07/2019
No filme ‘‘Preciosa", a protagonista deixa de frequentar o ensino regular por motivos pessoais. Não restrita somente à ficção, tal situação é encontrada no cenário brasileiro, uma vez que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em média 4 a cada 10 jovens de 19 anos no país não terminam o ensino médio. Nessa conjuntura, cabe analisar os fatores para a evasão escolar ser tão alta, dentre eles a necessidade de ingressar no mercado de trabalho e a falta de motivação no ambiente estudantil.
Em princípio, é importante compreender como, muitas vezes, o jovem é forçado a escolher entre escola e trabalho. Sob esse raciocínio, de acordo com a Agência Brasil, o estudante de baixa renda é o que mais evade a escola. Nesse pensamento, esse acesso deficitário ao ensino decorre da indispensabilidade do indivíduo de se empregar, pois ele, na maioria das vezes, precisa ajudar em casa, já que a renda dos seus pais ou responsáveis é insuficiente para suprir as necessidades básicas do domicílio. Assim, muitos menores de idade optam por interromper os estudos, por não possuírem tempo e energia para cumprir a dupla jornada de estudante e empregado.
Outrossim, é notório que o ambiente estudantil, sobretudo público, não é atrativo. Seguindo esse raciocínio, muitas escolas carecem de recursos, como carteiras, ventiladores e outros utensílios, além da escassa quantidade de docentes em meio a tantas turmas. Nessa lógica, o repasse federal às instituições é faltoso, o que provoca um ensino precário e serve de elemento repulsivo aos jovens, que se sentem desmotivados e preferem não frequentar as aulas. Concomitantemente, com a crise econômica vigente no país e a aprovação da Emenda Constitucional 241, que bloqueia os gastos com educação por 20 anos, essa carestia de recursos nas escolas tenderá a aumentar, pois elas não terão orçamento o suficiente para administrá-los.
Infere-se, portanto, que a evasão escolar no Brasil enfrenta obstáculos para ser erradicada. Para que isso aconteça, é de praxe que as secretarias municipais e estaduais, juntamente com a mídia, promovam programas como o Menor Aprendiz, para que os jovens necessitados possam se empregar em trabalhos com menores jornadas laborais e possam, simultaneamente, cursar o ensino regular. Ademais, o Poder Legislativo deve revogar a Emenda 241, visto que ela prejudica a obtenção e aplicabilidade dos recursos escolares.