Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 19/07/2019
É preconizado na Constituição Federal de 1988, como direito de segunda geração, a garantia de acesso à educação, por parte de qualquer cidadão. Entretanto, quando se fala em evasão escolar na realidade brasileira pode-se notar que essa garantia constitucional não está sendo integralmente usufruída por muitos jovens que abandonam a escola - ensino básico e médio-, por problemas familiares como a baixa renda e se veem obrigados a trabalhar, como também pela gravidez na adolescência ou pelo envolvimento com a criminalidade.
Segundo dados do IBGE, de 2004 a 2014 o número de jovens que concluíram o ensino médio na idade correra - 17 anos - aumentou 10 (dez) pontos percentuais. Entretanto, mais da metade que abandonou a escola, sequer chegou a concluir o ensino fundamental. Nesse contexto, pode-se notar que as causas que levam à evasão escolar ainda perduram: falta de políticas públicas de inclusão de jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica, ausência de políticas de planejamento familiar em locais de maior risco, e deficiência de projetos pedagógicos com vistas ao fortalecimento familiar e pessoal como meio de se evitar a iniciação no mundo das drogas o que, por sua vez, acarretará a não incidência no mundo do crime.
Assim, segundo Hegel, o homem é “um ser eminentemente social, por isso, busca estar integrado na sociedade que o abriga”. Assim, desde idos do Brasil colônia, onde o negro fora objetificado como mercadoria e meio de produção escrava com vistas ao enriquecimento - mais-valia - e perpetuação do modo de produção capitalista, os fatores de causa e consequência ainda perduram porque o mesmo passa a ser produto do todo, um resultado do meio. Será ele, o negro, marginalizado, favelado, estigmatizado, que buscará se integrar aos seus iguais, ou seja, como proposto por Dukhein, haverá a continuidade inexorável do fato social de exclusão e vilipêndio daqueles e a contínua evasão escolar.
Por isso, como meio de mudança da realidade histórica brasileira, deve-se buscar a implementação de políticas públicas eficazes como a educação humanizada - modelo de ensino onde o professor vai até a casa dos alunos mais aptos a abandonar a escola e os acompanha nesse processo de “resgate” educacional. Além disso, é preciso de haja leis que garantam renda aos estudantes hipossuficientes cuja idade os impede de ingressar no primeiro emprego e incluam os demais no mercado de trabalho formal em horário compatível com os da atividade escolar; assim, também, é preciso que haja debates e palestras comunitárias para esclarecer, prevenir e atenuar os efeitos potencialmente destrutivos da formação familiar desestruturada, bem como a inclusão de creches na mesma unidade de ensino ou nas adjacências deste, para aquelas gestantes e lactantes que precisam estudar.