Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 18/07/2019
A evasão escolar em alguns locais do Brasil aumenta constantemente, a realidade dos jovens de baixa renda que vivem em periferias e locais cercados pela violência e o tráfico é delicada e pode ser analisada no filme nacional “A cidade de Deus”, que tem como foco mostrar o desenvolvimento da comunidade enquanto também é bem realista ao mostrar o cotidiano dos adolescentes desse local. Muitos abandonam a escola devido a desigualdade social e o contato com o tráfico, como é o caso das personagens da trama.
Decerto, no Brasil há uma segregação socioespacial recorrente das consequências da escravidão. A população de baixa renda e em sua maioria negra, se instalou às margens dos grandes centros urbanos e vive uma realidade destoante das camadas altas da sociedade. De acordo com o IBGE, o índice de estudantes que moram em periferias está abaixo da margem previsa pelo Ministério da Educação. Os jovens que moram nesses locais deixam de frequentar o ambiente escolar devido a distância das escolas, a falta de transporte público, a necessidade de trabalhar que leva a uma inserção precoce no mercado de trabalho, e em alguns casos, a gravidez na adolescência que faz com que a adolescente deixe de lado a sua juventude.
Ademais, outro fator que colabora para esse acréscimo de jovens das comunidades abandonarem a escola, está no contato com o tráfico. Os adolescentes seduzidos por uma vida de luxo entram para o mundo do crime, como o caso do filme citado em que o personagem Zé Pequeno se transforma em um poderoso traficante da região e ganha a sua vida vendendo drogas. Logo é possível fazer um paralelo entre o índice de escolaridade e o da violência e tráfico, enquanto o primeiro diminui constantemente, os demais aumentam com intensidade.
Portanto, torna-se evidente que é possível identificar na maioria dos casos de evasão escolar um perfil padrão e os momentos em que ocorrem. A desigualdade social separa os jovens das comunidades do mundo escolar, por diversos motivos, e o tráfico seduz a um mundo mais fácil. Para que os casos de abandono da escola sejam amenizados, os gestores de escolas e os assistentes sociais devem atuar em conjunto entrando em contato com os jovens não matriculados nos colégios e dos que possuem baixa frequência e notas, de tal forma as famílias ficarão cientes das leis do Estatuto da Criança e Adolescente sobre a presença do adolescente no ambiente escolar. Ademais, o Ministério da Educação deve investir em campanhas pública para incentivar a dedicação aos estudos uma vez que, a porta de entrada para um futuro melhor começa na infância e na escola.