Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 28/07/2019
No filme chinês “Nenhum a menos”, a menina Wei - com apenas 13 anos de idade - é posta como professora substituta por um mês numa escola da zona rural chinesa com a missão de não deixar que os alunos abandonem a escola. Fora da ficção, a evasão escolar é um imbróglio na sociedade canarinha e limita a formação psico cognitiva dos indivíduos em idade escolar, seja em razão da situação de vulnerabilidade social dos aulistas, seja pela persistência de uma sistema educacional obsoleto que não provoca identificação nos estudantes.
Primeiramente, a principal causa do abandono escolar tem raízes na situação de vulnerabilidade social enfrentada pelos alunos. Estes, por sua vez, são vítimas da ineficiência de políticas públicas que garantam direitos básicos para a vida em sociedade. Isso se deve a fraca atuação estatal no cumprimento dos direitos sociais tais como o acesso à educação, moradia, trabalho, transporte, alimentação, saúde, segurança, entre outros elencados no art. 6º da Magna Carta. Consequentemente, muitos lecionandos deixam o ambiente acadêmico para auxiliar na renda familiar, ou em razão da gravidez na adolescência, além da incidência de violência intrafamiliar. Dessa maneira, é fulcral a busca de alternativas que melhorem as condições da família dos estudantes para que permaneçam na escola.
Outrossim, existe uma inadequação do sistema educacional diante da demanda contemporânea que resulta no desinteresse por parte dos alunos que não vislumbram aplicabilidade prática dos conteúdos ensinados. Tal panorama é fruto da utilização do modelo medieval no ensino tradicional. Assim como na Idade Média, o modelo rígido de cópia e disciplina praticado pelos monges na transcrição das sagradas escrituras, ainda hoje é utilizado no recinto colegial através do uso do giz e do quadro negro apenas como método de ensino. Prova disso, são instituições públicas de ensino que não contam com a utilização de laboratórios, com o uso de tecnologia informacional que são característicos da modernidade e integram o cotidiano da geração Z. Logo, é relevante a busca de novas metodologias que promovam o aprendizado associado a rotina diária dos estudantes reduzindo assim a infrequência.
É mister, portanto, a adoção de medidas que mitiguem a problemática. Nesse sentido, cabe ao Governo Federal assegurar a execução de políticas públicas para efetivação dos direitos sociais de modo a reduzir a vulnerabilidade a qual os estudantes são submetidos. Ademais, o MEC - Ministério da Educação - deve destinar verbas para a pesquisa e implementação de novas tecnologias no sistema educacional, capacitando educadores para afastar o tradicional modelo medievo com o fito de oferecer aos alunos o reconhecimento do aprendizado na construção da sociedade contemporânea.