Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 20/07/2019
No Brasil, a educação é um direito social assegurado pela Constituição Federal de 1988 a todos os cidadãos. Cerca de 85% das matrículas realizadas são concentradas na esfera pública, segundo o Ministério da Educação. Além do mais, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é dever dos pais manterem os filhos na escola. No entanto, há uma crescente evasão escolar no país. A partir dessa conjuntura, elucida-se esse problema social que está relacionado à baixa escolaridade, como também ao aumento da criminalidade.
Em um processo que começa com a falta de incentivo dos pais quanto à permanência dos filhos no ambiente escolar que, por sua vez culminam em um percentual que, segundo dados do Censo Escolar de 2018, foram mais 1 milhão matrículas a menos, comparados ao ano anterior que, em consequência, tenderá a evasão escolar há outros problemas que estão diretamente relacionados. Nesse ínterim, reforça-se o que diz autor Paulo Freire “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sendo assim, com efeito da baixa escolaridade, possivelmente, cominará em jovens com maiores probabilidades de envolvimento com a criminalidade ou, ainda, em constituição de famílias maiores, à medida que a relação de escolaridade e filhos estão diretamente ligadas.
Dados e efeitos, em tese, os jovens de famílias de baixa escolaridade tendem a seguir o exemplo dos pais. Sob esse viés, destaca Pierre Bourdieu, em sua obra “Habittus”, que toda sociedade incorpora os padrões sociais impostos e os reproduzem ao longo de gerações. Em consequência, a esse fato social reflete-se em índices de criminalidade que, segundo apresentado pelo Levantamento Nacional de Informações penitenciárias (Infopen), uma parte da população carcerária brasileira são oriundos de famílias de baixa escolaridade, de modo que mais metade dos jovens não chegou a concluir o ensino fundamental. Diante disso, percebe-se o efeito provocado pela evasão escolar.
Considerando os aspectos mencionados fica evidente a necessidade de medidas urgentes por parte do Estado em promover políticas públicas para maior permanência no ambiente escolar. O poder público, por meio da secretaria de educação, conselho tutelar, entre outros órgãos, necessitam investir em educação básica em turno integral ou em outras práticas sociais ou esportivas de turno inverso, como um dos meios de transformação social, como relatado por Paulo Freire. Por fim, à medida que atinjam o maior número de pessoas e que tenham acesso à informação para que valorizem a escola e os estudos, há uma tendência que os problemas sociais citados apresentem resultados positivos, assim como a sua diminuição ao longo do tempo.