Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 13/07/2019
A educação é um direito social presente no artigo sexto da Constituição Federal do Brasil de 1988. No entanto, sua garantia tem sido ameaçada pelo crescente número de casos de evasão escolar, principalmente na rede pública de ensino. Essa questão se deve, dentre outros fatores, à falta de incentivo familiar e escolar e também ao índice de criminalidade que gera apreensão no momento de sair de casa para se deslocar ao colégio.
Em primeiro lugar, é indubtável que o envolvimento entre os professores, a família e o aluno seja uma das causas do desinteresse dos aprendizes em frequentar as aulas. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de pensar e agir, dotado de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa lógica de pensamento, observa-se que a desmotivação pode estar encaixada na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança vive em um ambiente onde os familiares deixam de estudar, tende a adotar o mesmo comportamento por causa da vivência em grupo. O mesmo acontece quando o jovem está inserido em salas de aula com professores pouco interessados: ele tende a perder o interesse também. Assim, obtém-se um ciclo vicioso entre as partes, agravando a situação da frequência escolar no país.
Outro fator que exerce grande influência sobre a presença dos jovens nos ambientes de ensino é a violência. Um exemplo é a chacina ocorrida em março deste ano em Suzano, interior de São Paulo, em uma escola, onde dois ex-alunos assassinaram cinco estudantes e duas funcionárias. Esse tipo de situação não é o primeiro a acontecer e gera um sentimento de tensão nos aprendizes, levando muitos deles a desistirem de frequentar as aulas.
Portanto, entende-se que a evasão escolar no Brasil ocorre, dentre outros motivos, devido ao reflexo da falta de interesse familiar e escolar e ao crescente índice de criminalidade que afugenta os jovens das aulas. Cabe, então, ao Estado, investir na formação de professores para o desenvolvimento de aulas mais dinâmicas e atrativas que instiguem o interesse dos acadêmicos e forneçam abertura para a construção de mais diálogo entre o educador e o aluno, além de reforçar a segurança pública com a inserção de postos policiais próximos, principalmente em bairros com índice mais alto de delitos. Dessa forma, consegue-se aumentar a frequência das crianças e dos adolescentes às salas de aula e garantir, assim, a efetivação do seu direito social à formação educacional.