Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 14/05/2019

A época do processo de industrialização e formação dos grandes centros nacionais era comum concebermos os jovens do campo como mão de obra extremamente útil às famílias. O processo de êxodo rural, o qual promoveu a urbanização em território brasileiro, trouxe consigo uma perspectiva negativa a cerca da educação brasileira: evasão escolar. Inicialmente desprovidos de instituições de educação, os jovens da sociedade atual cada vez mais se ocupam em outros segmentos, configurando um dos principais problemas da sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, a evasão escolar ocorre principalmente em redes públicas de ensino. Esse fato pode ser associado, em muitas das vezes, a condição financeira das famílias, a qual necessita de reforço orçamentário, sujeitando os jovens à abdicação parcial ou total dos estudos. Além disso, é válido salientarmos que fatores como localidade, transporte e infraestrutura são fundamentais ao estímulo do indivíduo. Fundamentam-se essas informações nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que, entre os jovens de 15 e 17 anos, no ano de 2014, ao menos 676 000 não completaram sequer o ensino fundamental.

Além disso, as consequências do abandono escolar são muito mais significativas do que aparentam. Os tecnopolos, importantes centros de desenvolvimentos tecnológicos centrados na imagem das universidades, tendem a abarcar cada vez menos indivíduos voltados para a aplicação científica, o que, por conseguinte, reduzirá a capacidade de produção de conhecimento científico do país. Isso decorre do pouco estímulo a que o jovem está submetido, de modo que, se não afastados dos ensinos fundamental e médio, tendem a propiciar a escolha pelo mercado de trabalho, muitas das vezes informal, sobre o ingresso no ensino superior.

Fica claro, portanto, que medidas que coíbam o processo de evasão escolar sejam implementadas. O Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, deve privilegiar investimentos em infraestrutura, profissionais capacitados e em transporte, para que seja possível estimular e propiciar ao jovem melhores condições de acesso à educação. Ademais, a mídia pode suscitar a reflexão sobre as famílias a cerca da necessidade dos estudos na vida social e profissional dos indivíduos, de modo que haja uma possível conciliação entre trabalho e estudo.