Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 03/11/2018

É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade. O pensamento do filósofo prussiano do século XVIII, Immanuel Kant, representa, no contexto atual, a necessidade de enfrentar os obstáculos na educação brasileira a fim de minimizar a evasão escolar e garantir o progresso dos estudantes. Nesse sentido, convém analisar a principal causa e respectiva consequência desse impasse no país.

A princípio, evidencia-se que o abandono dos estudos é um problema de caráter multifatorial. Porém, a maior causa – e a que deve ser destacada – é simples: a desmotivação dos alunos devido à falta de flexibilidade das escolas. De acordo com uma pesquisa realizada em 2009 pela Fundação Getúlio Vargas, mais de 40% dos jovens abandonam os estudos por falta de interesse. Isso ocorre porque a educação brasileira não é humanizada, ou seja, não existe dinamicidade nos estilos de ensino-aprendizado e, dessa forma, os alunos que não se encaixam no sistema padrão de ensino e avaliação são alvos de reprovações cumulativas, o que gera impacto psicológico à medida que o jovem sente que é incapaz e que a escola não está adequada à sua realidade.

Ademais, o abandono escolar intensifica a desigualdade social no Brasil. Sabe-se que a mão de obra altamente qualificada é prioridade desde a Terceira Revolução Industrial, portanto, a baixa qualificação do indivíduo – devido à falta de estudo – restringirá as oportunidades de trabalho àqueles que oferecem salários reduzidos, além de ser o principal fator do desemprego no Brasil, conforme o portal de notícias O Globo apresentou em uma de suas matérias. Destarte, é evidente a contraditoriedade que existe no Brasil como um país promulgador da Constituição Cidadã - que garante oportunidades iguais para todos -, mas não apresenta políticas eficientes para que isso ocorra.

Desse modo, deve-se resolver a problemática, para que o segredo do aperfeiçoamento dos estudantes e o consequente progresso da nação, seja elucidado. Para isso, o Poder Legislativo, por meio da elaboração de um projeto de lei, deve garantir que uma parcela dos gastos públicos destinados à educação, seja para a capacitação dos professores, através de treinamentos com psicólogos, à aplicação de diferentes metodologias nas salas de aula – como a Construtivista, por exemplo, na qual o professor age como um orientador que estimula a construção do conhecimento por cada aluno, dentro da sua especificidade. Espera-se, com isso, diminuir a evasão escolar, pois quanto mais flexível for a escola, mais fácil é a adequação desta aos interesses e às motivações de seus alunos.