Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 30/10/2018

Gravidez na adolescência, bullying e a participação precoce do público infanto- juvenil como fonte de renda familiar são apenas algumas das causas da dramática realidade do País: a evasão escolar. no Brasil. Nesse contexto, com o objetivo de atenuar essa relação retrógrada e abjeta e garantir uma convivência harmoniosa no corpo social é necessário um engajamento mais eficiente do Poder Público e setores da sociedade civil.

Em primeiro plano, consoante a obra “Leviatã”, proposta por Thomas Hobbes, no século XVII, a função primordial do Estado é a segurança e o bem-estar social. Entretanto, ao observar os casos de abandono em ambientes educacionais, é notória a dificuldade do governo brasileiro em seguir essa ideia hobbesiana. Isso porque, embora o País disponha de recursos jurídicos que assegurem esses ideias, como a Constituição vigente e o Ministério da Educação(MEC), pesquisas mostram o aumento da prática de evasão colegial. Prova disso são os dados do IBGE, a qual mostrou, em 2017, uma média de 1,5 milhão de pessoas entre 15 e 17 anos fora das instituições de ensino. Essa veracidade, por conseguinte, constitui um grande contrassenso para uma nação que deseja evoluir socialmente, uma vez que tal realidade descumpre princípios constitucionais, como a cidadania e os direitos civis.

Em segundo plano, evidencia-se uma formação de valores comportamentais deturpado relacionado aos efeitos e causas dessa lamentável ação no Brasil. A esse respeito, a pouca abordagem nas instituições formadoras de opinião, como certas escolas e alguns setores de imprensa, contribui para a permanência do abandono acadêmico, tendo em vista que, na maioria das vezes, as vítimas desconhecem os perigos de tal ato. Essa negligência sociopolítica contraria a lógica do filósofo contemporâneo John Rawls, o qual alegava a importância dos debates democráticos para a formação de uma sociedade igualitária e justa.

Portanto, para que evasão escolar deixe de ser uma realidade no Brasil, é necessário que o MEC crie projetos psicopedagogos, por meio de parcerias público-privados, os quais objetivem a busca dos motivos que levaram o abandono dos estudantes no campo educativo e maximizar as ações nas resoluções das causas, com o intuito de garantir a integridade desse grupo social na rede de ensino. Além disso, o Ministério do Trabalho deve intensificar os programas de incentivo à educação e ao meio laboral, como o jovem aprendiz, com o objetivo de reduzir os casos de trabalho informais entre os jovens e aumentar o número dos infantes na esfera socioeducacional. Dessa maneira, com tais estratégias sociais, além de garantir um convívio harmonioso, o Brasil irá progredir democraticamente e fazer jus aos objetivos das Constituição Cidadã e ao ideal de Hobbes.