Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 27/10/2018

Segundo o Existencialismo, doutrina filosófica surgida na França, no século XX, a liberdade de escolha é refletida nas condições de existência do ser, portanto cabe ao homem ser responsável por suas atitudes. Porém, no Brasil, em pleno século XXI, isso não passa de uma teoria, visto que a questão da evasão escolar está em debate – o que explicita a ausência de Políticas Públicas para a manutenção do bem-estar social.

No Brasil, indubitavelmente, existe ação do governo para amenizar os elevados casos de evasão escolar. Pode-se mencionar, por exemplo, o ProJovem, cujo objetivo é promover a reintegração dos jovens no processo educacional, com a conclusão do Ensino Fundamental e a qualificação profissional. Isso, de certa forma, demonstra que o Estado já intenta contemplar as ideologias do Existencialismo.          Contudo, tal ação não é capaz de atenuar, verdadeiramente, os altos índices de evasão escolar no Brasil, pois, devido à falta de oportunidades – que além de afetar o ingresso imaturo no mundo do trabalho, pode comprometer a formação profissional-, o que se observa na maioria das camadas sociais da nação, são níveis alarmantes de trabalho precário, marginalização e gravidez precoce, motivados, principalmente, pelas influências sociais. Percebe-se, pois, as consequências da fragilidade da educação oferecida à maior parte da sociedade, que não prepara os indivíduos para exercerem, de fato, sua cidadania. A verdade é que, a evasão escolar no Brasil não será atenuada, enquanto o Estado não pautar a educação na responsabilidade de forma que contribua para o convívio em sociedade, afinal: “O homem é condenado a ser livre, porque depois de atirado neste mundo torna-se responsável por tudo que faz”, diz o filósofo francês existencialista Jean-Paul Sartre.

Depreende-se, pois, que há a necessidade de investimentos no Ensino Básico- o que já é assegurado pela Lei de Diretrizes e Bases, n°9.394/96. Para tanto, é plausível que o Estado, através do Ministério da Educação, não só contemple os componentes curriculares de Formação Cidadão e Projeto de Vida, mas também- em parceria com o poder público- desenvolva a criação de escolas em tempo integral, que contemplem eletivas esportivas, culturais e de lazer, além de ofertar uma bolsa financeira aos alunos destaques, com a finalidade de não apenas conscientizar, além de contribuir e incluir os jovens dentro das instituições de ensino, e, por consequência, atenuar a evasão escolar no Brasil. Se assim for feito, a maior parcela da nação desfrutará dos princípios existencialistas.