Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 25/10/2018

No romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, noções como verdade e equidade são questionadas. O narrador é cético, transformando o leitor em vítima das ironias do livro. Atualmente, essa perspectiva se faz presente, porém, não da forma literária, visto que a evasão escolar afeta o bem-estar social. Com efeito, a construção de uma sociedade isonômica pressupõe ação conjunta entre população e Poder Público, com intuito de mitigar os empecilhos postos à frente da educação no Brasil.

Em primeiro plano, a Constituição Federal assegura direitos essenciais ao desenvolvimento humano. Contudo, a conjuntura social deturpa essas garantias na prática, posto que, conforme dados do IBGE, cerca de 25% da população nacional é evasiva nos primeiros anos educacionais. Nesse viés, o principal fator que contribui com essa problemática é a situação econômica familiar, na qual as crianças são induzidas a trabalharem desde cedo, consoante à invisibilidade estatal. Assim, estabelece um paradoxo ao princípio defendido por Aristóteles, o qual o Estado deve garantir o equilíbrio social.

De outra parte, evidencia-se a omissão do Estado como propulsor da adversidade. Nesse contexto, Jhon Locke defendia que os cidadãos devem confiar ao poder público a proteção dos seus direitos essenciais, a exemplo da educação integral. Entretanto, no Brasil esse ideal é ineficaz, já que o governo brasileiro é negligente na administração escolar, em virtude do baixo subsídio ofertado. Outrossim, no contexto literário, a política se caracteriza como um jogo entre a realidade e a necessidade, em que pessoas corrompem realidades alheias a fim de obter interesses próprios. Dessa forma, enquanto o Estado não se posicionar para atenuar esse problema, os indivíduos continuarão inscientes, mesmo estando em um Regime Democrático.

Impende, pois, que o direito à educação seja garantido. Para isso, o Ministério da Educação, com apoio do Ministério Público deve solicitar ao Poder Legislativo a liberação de recursos para a difusão de bolsas assistencialistas, para crianças matriculadas em situação econômica vulnerável, por meio de petições ao Ministério da Fazenda. A Escola, por sua vez, pode desenvolver projetos capazes de motivar os alunos, por intermédio de aulas lúdicas e práticas, para que a isonomia seja alcançada.