Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/10/2018
Na mitologia grega, a Esfinge é um personagem que guarda consigo um enigma não solucionado por nenhum cidadão grego, que, ao errar a resposta é prontamente devorado pela fera. Analogamente, quando se observa a questão da evasão escolar no Brasil, verifica-se que esse se configura como um verdadeiro enigma frente ao país, que até então, é todos os anos devorado. Desse modo, a problemática persiste, seja por consequência da ascensão capitalista, seja pela negligência governamental diante do exposto.
É importante notar, a princípio, que o capitalismo é um fator preponderante para o surgimento do problema. Nesse sentido, a necessidade de acumular capital para sobrevivência obriga os docentes mais desfavorecidos socialmente a ingressar no mercado de trabalho, fato que é responsável por tomar do aluno o tempo que seria utilizado na sua formação acadêmica. Tal perspectiva é facilmente percebida pelos dados da Unibanco, que indica que grande maioria dos que evadem das escolas possuem renda famíliar média de somente 486 reais. Desse modo, assim como crê o geógrafo Milton Santos, por trás de um capitalismo que supostamente deu certo, existe, na realidade, diversos problemas sociais gerados por tal, e dentre esses está a evasão escolar.
Ademais, é necessário perceber, ainda, que a negligência governamental também ajuda a explicar a manutenção do impasse. Dessa maneira, apesar da Magna Carta de 1988 garantir o ensino a todos, o Governo se mostra passivo diante da evasão escolar, e, consequentemente, não cumpre o previsto constitucionalmente. Assim, os estudantes que saem das escolas antes da conclusão são em sua maioria deixado de lado, e as instituições escolares poucas vezes se encabeçam de compreender o motivo da saída ou ainda incentivar o seu retorno. Consecutivamente, bem como dito pela filósofa Hannah Arendt, banaliza-se o mal e esse acaba se perpetuando ao longo de gerações, o que gera uma gama de adultos marginalizados, econômicamente parados ou ainda em estado de informalidade.
Torna-se evidente, portanto, que medidas enérgicas devem ser tomadas a fim de diminuir drásticamente a evasão escolar. Sob esse aspecto, cabe ao Poder Executivo o papel de criar propagramas, a partir de subsídios com empresas, que forneça um emprego com carga horária ideial para o estudante e com um pagamento suficiente para sua permanência na escola. Similarmente, o Ministério da Educação, em parceria com a Secretaria Municipal de educação e com o Conselho Tutelar, deverão identificar os docentes desistentes, procura-los e incentiva-los a retomar a sala de aula. Somente assim, a longo prazo, a Esfinge que assola o país será, finalmente, derrotada pelo Édipo brasileiro.