Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 05/06/2018
A Constituição Federal prevê a educação como direito social fundamental, de responsabilidade do Estado e da família, dada sua importância para a dignidade humana. Todavia, na sociedade brasileira, a efetivação desse direito torna-se um grande desafio em face das constantes evasões escolares de grande incidência nas populações sujeitas a maior risco social, fomentadas em um contexto de precariedade de muitas escolas públicas.
Nas palavras de Paulo Freire, a educação revoluciona a realidade do indivíduo e o liberta das amarras sociais. Essa ideia se mostra infelizmente verdadeira quando se verifica a falta dela. Segundo o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, baixos índices de escolaridades corroboram a prática de delitos e estão relacionados ao encarceramento de parte da população mais carente. Não bastasse essa consequência negativa, há de se apontar que a falta de qualificação pode tornar o trabalhador refém de subempregos e mais sujeito à exploração nas relações de emprego. Assim sendo, a evasão escolar intensificar as desigualdades sociais no Brasil.
Apesar das graves consequências do abandono precoce dos estudos, o poder público se mostra omisso quanto às suas responsabilidades. Estudos do movimento Todos pela Educação apontam que menos de 10% das escolas públicas dispõe de uma infraestrutura adequada. De certo, a falta de um ambiente razoável fomenta o desinteresse pelos estudos por parte dos alunos, e desmotiva até mesmo os professores. Como resultado, a falta de investimento eficientes na educação agrava o deficitário ensino brasileiro e eleva os números de evasões das escolas pelos jovens.
Afere-se, portanto, que a educação é imprescindível ao desenvolvimento humano e o ciclo de desistência dos estudos deve ser rompido a fim de construir uma sociedade mais justa. E para que haja maior equidade social, as secretarias de educação dos Estados e Municípios devem esclarecer as consequência negativas da falta de formação educacional e os riscos sociais dela decorrentes por meio de palestras promovidas por profissionais da educação para alunos e respectivos pais. Em igual importância, os investimentos públicos devem ser ampliados em todas esferas federativas, a fim de aumentar qualitativamente a infraestrutura das escolas, com intensa fiscalização popular e auxílio dos Tribunais de Contas acerca da probidade da destinação das verbas públicas.