Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 27/05/2018

Mais de um século depois do fim da escravidão a sociedade contemporânea carrega cicatrizes deste período tão triste e destrutivo da história brasileira. O acesso à educação de qualidade é uma delas. Historicamente as minorias sociais não tiveram acesso à educação e isso tem comprometido a admissão em empregos e a ganhos melhores. Assim, o modelo de concentração de renda nas mãos de poucos perpetua-se, sendo um dos fatores responsáveis por um abismo sócio-econômico entre os afrodescendentes e os brancos. A evasão escolar é um dos aspectos responsáveis por este abismo e que precisa ser erradicada do Brasil para que tenhamos uma sociedade mais igualitária.

Pierre Bordieu afirma que o acesso à educação formal é mediado por saberes acumulados durante a vida de uma pessoa, o que ele denomina capital cultural. No caso dos descentes de escravizados eles se encontram em desvantagem em relação aos brancos uma vez que, por várias gerações não tiveram acesso à educação formal, ficando desta forma excluídos do processo de aquisição do conhecimento e consequente acesso à bons postos de empregos e renda. Assim, a escolarização configura-se em com uma forma de inclusão social.

Gravidez na adolescência, trabalho infanto-juvenil, escolas e currículos precários. Estes são alguns dos fatores apontados como causadores do abandono da escola. Todos eles remetem à necessidade de políticas públicas abrangentes para que a permanência na escola seja algo real e  para que a educação oferecida seja de boa qualidade.

Portanto, as secretarias de educação de estados e municípios devem promover ações para reparar as consequências da escravidão; criando políticas de inclusão social que favoreçam a permanência e o acesso à educação de qualidade. Para isso, é preciso o envolvimento da comunidade escolar na criação de um currículo atualizado e que respeite as diferenças, na capacitação da equipe pedagógica e também na maior participação das famílias na vida escolar dos seus filhos.