Estratégias para assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis
Enviada em 20/03/2025
Na obra cinematográfíca de ficção científica “Wall-E” explora-se um futuro hipo-
tético no qual o consumismo exacerbado acabou por tornar o planeta inabitável devido ao acúmulo de lixo e poluição. Transpondo-se esse tema da ficção da realidade, verifica-se um paralelo ‐ apesar de menos drástico - que torna urgente uma mudança dos padrões de consumo e produção para as futuras gerações, sendo para isso necessário superar a razão instrumental e capitalista hodierna.
Nesse contexto, um entrave na formulação de estratégias para uma economia mais sustentável consiste na omissão institucional na formulação de novas soluções, derivada da “instrumentalização do pensamento”. Particularmente, o sociológo Herbert Marcuse criou esse termo para designar o unidimensionalismo do pensamento nas sociedades capitalistas contemporâneas, que perderam capacidade de usá-lo de forma crítica - ou dialética - para entender a realidade empírica, sendo marcada pela repetição das mesmas mensagens psudo-antagô-nicas pelos partidos políticos e a mídia corporativa. Dessa maneira, se sufocam a inovação e a integridade dos programas ambientalistas governamentais, como exemplificado pela recente aprovação da exploração petrolífera do Rio Amazonas.
Ademais, outro fator que compromete as estratégias para um consumo mais sustentável está na ordem capitalista globalizada que prega o lucro imediato às custas do meio-ambiente. Nesse sentido, há a criação de uma cultura efêmera que busca sempre “estar na moda” para estimular a demanda desnecessária de produtos com obsolescência programada, sintetizada na expressão “Cultura de Massa” de Theodore Adorno e Max Horkheimer. Consequentemente, verifica-se que mais rigorosas normas ambientais não causariam uma diminuição da qualidade de vida da população mundial e nem impediria a inovação e crescimento econômico, mas sim acabaria com a psicose de superprodução contemporânea.
Sob esse prisma, é evidente que uma mudança de mentalidade seria necessária para superar a instrumentalização da razão e da cultura. Portanto, o Estado, sob a sua égide de protetor dos bem estar-social, deve promover o pensamento crítico nas salas de aula, por meio de mudanças curriculares, com intuito de subverter a mentalidade de lucro indiscutível e assim promover uma economia sustentável.