Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 09/04/2020
A Peste Negra foi uma grande epidemia que afetou a Europa no século 14. Ela foi sendo combatida à medida que se melhorou a higiene e o saneamento das cidades, mas durante o surto, manter a população calma foi um dos grande desafios da época. Assim como no período da peste bubônica, nos dias hodiernos, encarar a histeria coletiva durante grandes epidemias é um intenso desafio. Tal problemática ocorre devido ao elevado número de contaminados e mortos durante pouco tempo de contágio e também em decorrência de uma mídia com notícias que causam pânico .
Em momentos de pandemia, é comum um elevado número de casos se espalhar rapidamente em diversos continentes, o grande problema é não poder controlar os sentimentos e angústias da população diante do exponencial crescimento de infectados e mortos. Essa situação pode ser analogamente vista no filme americano “Contágio”, o qual mostra o desafio das autoridades políticas e de saúde em combater a doença e ao mesmo tempo tentar manter a população calma e prudente aos riscos de contaminação. Fora das telas, o cenário real é o mesmo, cujas epidemias como a do Covid-19, que já matou mais de 88 mil pessoas no mundo — Segundo dados divulgados pelo G1—, causam grande preocupação e histeria na população.
Além da quantidade de pessoas afetadas, outro fator que colabora para o histerismo dos indivíduos são as notícias com manchetes sensacionalistas e com abordagens que causam pânico na população. Essas informações noticiadas de forma alarmante pode até ter o propósito de deixar a população alerta e mais cuidadosa com a higiene e prevenção da doença, mas elas acabam gerando um “epidemia de medo”, que pode ser até mais difícil de controlar do que a própria doença epidêmica. Prova disso foi a matéria publicada pela Revista Exame —que tem por nome “Perigo real ou medo em excesso?"—, a qual discorre a respeito dos exageros cometidos pela mídia e pela divulgação majoritariamente de notícias e dados negativos sobre a atual pandemia de Corona Vírus, que acaba gerando um pavor coletivo nas pessoas, em vez de apenas alertá-las do perigo.
Fica claro, portanto, que o elevado índice de contágio nas epidemias e o pânico propagado pela mídia são os principais desafios que corroboram para a histeria coletiva. Logo, é necessário que o Ministério da Saúde juntamente com as autoridades públicas criem mecanismos de assessoramento à população, por meio de propagandas de televisão e internet que instruam como evitar o contágio da doença, para que ela enxergue os números epidêmicos como forma de se precaver e não como motivo de pânico. Além disso, O Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicações deve proibir e fiscalizar os noticiários que tenham abordagem temerosa, para prevenir o medo desnecessário na população.