Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 09/04/2020

O surgimento de epidemias contemporâneas no Brasil se configura como um grave problema tanto de cunho social, como de saúde pública, visto que afeta a população de forma direta, ferindo, portanto, os dizeres garantidos pela Constituição Federal de 1988. Tal realidade traz consigo o surgimento de uma histeria coletiva, a qual apresenta desafios, tais como a inoperância estatal e a falta de acesso à informação democrática por todos os cidadãos.

A princípio, destaca-se o Estado como um agravante desse problema. Sob esse viés, esse fator, de acordo com o contratualista John Locke, configura-se como uma violação do ¨contrato social¨, já que o Poder Público não cumpre sua função de garantir que os indivíduos da sociedade gozem de direitos imprescindíveis como o acesso à saúde pública de qualidade, o fornecimento da capacitação de instituições aptas para a prevenção e o combate das epidemias, além da garantia da permanência da renda familiar, a qual permite a manutenção do bem estar social e econômico do cidadão. Dessa maneira, é notório afirmar que essa eficiência estatal contribui massivamente para o surgimento de uma histeria coletiva, dado que os indivíduos se sentem vilipendiados de seus direitos e carentes de suporte emergencial para enfrentar os surtos epidêmicos.

Além disso, a escassez no acesso à informação democratizada também se constitui como um desafio para a superação do surgimento da histeria coletiva. Conforme o historiador José Murilo de Carvalho, a cidadania ainda se apresenta inconclusa no Brasil. Desse modo, é correto afirmar que ainda se observa um tolhimento de direitos do sujeito presente na sociedade, uma vez que não é fornecido de forma igualitária o acesso à informação com a linguagem adequada à qualquer grupo social, fato esse, que não favorece o entendimento coletivo. Assim, parte da população não compreende as características das epidemias surgidas, nem os métodos de controle e prevenção, criando, portanto uma certa resistência a incorporação de medidas necessárias para o combate e também um desespero mediante à falta de conhecimento instalada.

Logo, com o intuito de combater essa problemática, é necessário que o Ministério Público efetue a criação de planos de auxílio, tanto financeiro, quanto de saúde, os quais tenham como objetivo o melhoramento da rede pública de saúde, capacitando os profissionais e fornecendo estrutura básica aos hospitais, e, além disso, o fornecimento da garantia da renda familiar do individuo, lhe permitindo a manutenção do bem estar social e econômico. Outrossim, também é imprescindível que o Ministério da Saúde atue na criação de campanhas que busquem promover a toda população, com linguagem democrática, as informações necessárias para o combate e prevenção das epidemias surgidas.