Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 09/04/2020

O escritor italiano Giovanni Boccaccio, relatou em suas obras a realidade social vivenciada pelos indivíduos europeus em momento vigente à peste negra, que acometeu toda a Europa e foi responsável por dizimar um terço da população europeia. Isso evidencia a capacidade das epidemias de mudar a configuração social e econômica de determinada época, oque corrobora para a histeria coletiva, devido  a falta de conhecimento populacional juntamente aos impactos causados pela mídia na sociedade moderna  e a falta de estrutura dos países que acometidos pelas doenças.

A priori, a revolução tecnológica e científica do século XX, propiciou a sociedade moderna a facilidade e velocidade de informações nunca experimentada antes. Entretanto, acarretou também na perda do exercício crítico dos indivíduos, uma vez que o comodismo de “informações prontas” faz com que grande parte da população não busque a veracidade destas. Desse modo, nesses períodos é comum o aumento da preocupação pelo “bombardeio” das notícias veiculadas pela mídia juntamente com a criação das chamadas “fake news”, ou seja, falsas notícias criadas com intuito de precarizar ainda mais a problemática. Logo, esse feito é alcançado quando à falta de conhecimento e criticidade é realidade, principalmente, nos países nos quais a população tem baixa escolaridade.

Além disso, Segundo o médico brasileiro Drauzio Varella, “pela primeira vez vamos ver como se comporta uma epidemia com tanta desigualdade social”, essa fala destaca um desafio presente na sociedade atual para lhe dar com a pandemia do coronavírus, que teve seu inicio no ano de 2019 na china. Dessa forma, fica evidente que a disparidade econômica e social dos indivíduos é uma preocupação nesse momento, uma vez que as classes mais baixas não tem acesso igualitário aos sistemas de saúde e sofrem as consequências mais perversas. Ademais, é necessário um Estado preparado para lidar com o problema, visto que é importante a assistência à essa parcela da população.

Sendo assim, é necessário que a mídia, através dos meios de comunicação atuais veicule as informações necessárias de maneira responsável, por meio de participação de autoridades da área da saúde para instruir a população aos cuidados essenciais e da área tecnológica para habilitar os indivíduos a distinguir as notícias entre verídicas ou “fakes”, para que haja a diminuição da preocupação exacerbada pela população. Também, o Estado, responsável por manter a ordem social , deve ajudar a parcela populacional mais afetada pela crise de saúde, por meio da criação de novos leitos hospitalares gratuitos e medidas assistencialistas, visando a garantia das necessidades básicas do seres humanos, para que estes tenham sua dignidade mantida como previsto na Constituição Brasileira.