Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 09/04/2020

No final do século XX, a sociedade foi atingida pelo surto epidêmico de gripe espanhola, que se alastrou a nível mundial e acabou ceifando a vida de milhões de pessoas. Na contemporâneidade, novas epidemias têm surgido e semelhante ao contexto histórico, estão configurando uma histeria coletiva entre as populações, porém de forma mais acentuada, uma vez que há maior acesso aos meios informativos. Nesse sentido, é importante analisar as relações humanas com a natureza e a ação da mídia a fim de compreender melhor a problemática em questão.

A princípio, de acordo com a ONG “Green Peace”, a relação exploratória do ser humano com a natureza tem surtido efeitos danosos à integralidade dos indivíduos, pois além de degradar a fauna e flora, propicia o surgimento de doenças antes incomum ao homem. Nessa perspectiva, as novas epidemias na contemporâneidade têm forte ligação com a interação das pessoas com o meio ambiente, e principalmente com o manuseio indevido de animais silvestres, que devido à essa relação desarmônica houve o surgimento do HIV, Ébola e atualmente acredita-se que o COVID-19 também tenha surgido dessa exploração humana. Dessa forma, a maneira que a civilização lida com o ambiente tem contribuído com o avanço de surtos epidêmicos.

Além disso, a atuação incoerente dos meios de informação na contemporâneidade é o principal fator que desencadeia a histeria populacional diante dos novos casos de surtos epidemiológicos. De acordo com o Sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos uma modernidade líquida, em que o fator lucro e individualidade superam o interesse de promover o bem coletivo. Dessa forma, as empresas responsáveis pela informação são tendenciosas no momento que selecionam as notícias que serão divulgadas, pois é atribuído como objetivo principal a obtenção de lucro diante do maior número de expectadores, mesmo que para isso seja necessário a dramatização dos fatos que formentem o sentimento de pânico entre os indivíduos sociais.

Portanto, medidas devem ser tomadas a fim de atenuar os impáctos decorrentes do surgimento de epidemias na sociedade. Para isso, compete à escola com seu papel formador, educar as pessoas para viverem de forma harmônica com o meio ambiente, por meio de aulas expositivas, que deverão apresentar de forma lúdica dados estatísticos que comprovem os prejuízos da interferência humana na vida silvestre. Feito isso, será possível garantir que o ser humano não adquira doenças características de animais, além de não degradar a natureza. Ademais, cabe ao governo, coibir ações alarmantes dos veículos de informação, por intermédio de uma leia que deverá garantir o acesso à informação de forma neutra, garantindo assim, que não haja o processo de histeria coletiva diante dos surtos epidêmicos.