Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 14/05/2020

Segundo a premissa do filósofo Michel Foucault, “A sociedade é caracterizada pela existência do Biopoder, no qual há uma submissão incondicional dos indivíduos às regras estabelecidas”.Nesse sentido, na contemporaneidade brasileira, pessoas que estão acima do peso ou já são pertencentes ao quadro de obesidade, são vítimas não somente dos riscos ocasionados por essa patologia, como doenças crônicas e cardiovasculares, mas também do forte preconceito, que as coloca em posições de inferioridade e de inadequação aos paradigmas sociais. Assim, faz-se necessária a intervenção dos Órgãos Formadores de Opinião no combate a essa consternação.

Nesse contexto, é essencial evidenciar que, segundo dados do Ministério da Saúde, 54% da população está com sobrepeso e 20% já ocupa a escala da obesidade, situação que reflete um cenário preocupante e de alta sobrecarga ao sistema de saúde. Sob esse viés, a existência de padrões alimentares inadequados, ricos em gorduras saturadas e trans e  com alto teor de açucares, associada ao sedentarismo, são fatores que acentuam, sobremaneira, o risco do desenvolvimento de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes e doenças cardiovasculares. Dessa forma, percebe-se que muitos brasileiros tradicionalmente associam o prato cheio ao hábito de comer bem, priorizando a quantidade de alimentos em detrimento da qualidade nutricional, o que contribui para que uma ampla parte do publico obeso apresente fortes deficiências nutricionais, sobretudo, o contingente infantil, o qual pode sofrer atrasos no desenvolvimento em decorrência dessas falhas.

Em consonância a isso, é imprescindível salientar que na Grécia Antiga, os padrões corporais eram idealizados e voltados para a perfeição, valorizando a musculatura e o equilíbrio. Paralelamente, na sociedade hodierna, tem-se a expressiva valorização do corpo, estabelecendo-se modelos ditos ideias e em conformidade com o ideal de beleza prevalente. Nessa perspectiva, as vítimas da obesidade sofrem constantemente com os olhares de repúdio e com as ofensas, caracterizadas, principalmente, por coloca-las como culpadas pela situação, ao considerar um ato de comodismo e não como um problema de saúde que merece atenção. Destarte, o sentimento de inadequação e os sinais de falhas do corpo contribuem para uma série de transtornos psicológicos, a destacar a depressão e o suicídio.

À luz dessas considerações, percebe-se a imprescindibilidade de desconstruir esse fenômeno, tendo em vista os seus prejuízos .Para isso,cabe ao Ministério da Saúde,em sinergia com as Plataformas Midiáticas,promover políticas,por intermédio da assistência à saúde do obeso,elaborando programas de acompanhamento e atividades para o emagrecimento,como ginástica,bem como deve haver a promoção de campanhas publicitárias com atores renomados,com o fito de desconstruir o preconceito.