Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 06/05/2020
Baseado na ideia funcionalista de que todos os setores sociais contribuem para a manutenção do bem-estar comum, o sociólogo francês Émile Durkheim comparou a sociedade a um corpo biológico. Entretanto, hodiernamente, essa concepção é contestada, visto que a problemática da obesidade e a questão do sobrepeso figuram como realidades impulsionadoras tanto do preconceito como dos aspectos prejudiciais à saúde pública. Nesse sentido, cabe uma análise a respeito da visão equivocada preponderante e dos consequentes efeitos instigados pelo assunto.
Em primeiro plano, é válido mencionar que há, no tecido comunitário atual, supremacia de uma falsa percepção intrínseca no ato discriminatório sofrido pela parcela populacional não inclusa nos padrões estéticos de peso ideal. Acerca disso, segundo o Mito da Caverna- noção proposta por um dos pensadores mais influentes do ocidente: Platão-, os indivíduos estavam acorrentados e totalmente acostumados com uma concepção de mundo distante da verdadeira realidade. De forma análoga, nos dias atuais, diversos cidadãos, em fator de um capo visual limitado pelos protótipos estipulados, desconsideram as consequências de seus atos preconceituosos e influenciam a perpetuação de problemáticas em níveis emocionais e físicos da parcela social mencionada. Logo, é inaceitável que o pensamento proposto por Durkheim seja utópico frente à realidade nacional.
Em segunda análise, é fulcral expor que, além das enfermidades ocasionadas, diretamente, pela obesidade e pelo sobrepeso, como diabetes e hipertensão, a discriminação gera implicações psicológicas e emocionais. Nessa perspectiva, segundo dados copilados pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, apenas cerca de 8% dos habitantes nacionais não praticaram nem presenciaram algum tipo de gordofobia. Tal realidade, contribui para que o fragmento comunitário supracitado sofra os efeitos do distúrbio alimentar, do preconceito e das implicações mentais, fatores que atentam contra o bem-estar e impedem a mitigação correta dos altos níveis de indivíduos acima do peso. Assim, essa é uma situação cuja resolução deve ser baseada na saúde dos destacados.
Portanto, são necessárias medidas que atenuem o impasse. Para tanto, cabe às instituições de ensino, como escolas e universidades, estimular noções de respeito e empatia, por meio da ministração de campanhas e de projetos educativos, estes desenvolvidos desde a primeira infância, com a participação de profissionais da área da saúde, como psicólogos, a fim de mitigar a visão equivocada e combater o preconceito. Ademais, a mídia deve, por intermédio da veiculação de propagandas em horário nobre, revelar os problemas de saúde dos distúrbios alimentares e incitar a autônoma decisão saudável, para que o bem-estar dessa comunidade seja garantido plenamente.