Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 30/04/2020

Segundo uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde, em 2018, 18.9% dos brasileiros estão classificados como obesos e 54% estão na categoria do sobrepeso. Devido a essa conjuntura, é essencial o debate sobre o assunto, pois essas condições estão relacionadas a vários problemas de saúde. Porém, essa discussão deve ser fomentada de maneira respeitosa e sensível, pois é notável a presença de preconceito da sociedade com relação a indivíduos fora do padrão estético vigente, que, dentre outras questões, envolve o peso.

Conforme afirmado pela Organização Mundial da Saúde, a obesidade é um grande fator de risco para o surgimento de doenças cardiovasculares, atualmente uma das principais causas de óbito no cenário mundial. Assim, faz-se necessária a análise das causas do problema, que incluem essencialmente a popularização, conduzida pelo marketing das empresas, de produtos industrializados e altamente calóricos, os quais contêm quantidades exageradas de açúcar e gorduras saturadas, comprovadas cientificamente como sendo viciantes.

Entretanto, não se deve culpar os indivíduos, pois esses estão apenas sendo influenciados pelas noções de alimentação normalizadas atualmente, muito distantes do ideal. Apesar disso, a gordofobia é um preconceito crescente no Brasil, país no qual 92% dos cidadãos já presenciaram ou praticaram atos do gênero, de acordo com uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística. Lamentavelmente, a existência do restrito padrão estético, o qual inferioriza quem não está de acordo, proporciona violência verbal e física contra pessoas gordas, tornando o tema não só uma questão de saúde pública, mas também social.

Em suma, é fundamental a condução de medidas para combater as problemáticas citadas. Dessa forma, torna-se preciso que o consumo de alimentos saudáveis seja incentivado; é dever do Ministério da Saúde a promoção de campanhas, na rede televisiva e na internet, que estimulem e informem a população sobre as vantagens de uma alimentação equilibrada e as consequências do contrário.  Ademais, é necessário que nós, a população, mobilizemo-nos para promover uma mudança, posicionando nosso repúdio ao presenciarmos essa forma de discriminação no cotidiano, além de atuar com protestos nas redes sociais e promover visibilidade para aqueles que “levantam a bandeira” contra a gordofobia.