Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 07/10/2019
Na série “Sob pressão”, um pai obeso diante da impossibilidade de participar do casamento da filha decide tomar vários medicamentos para emagrecer que acabam colocando sua vida em risco. Sob essa ótica, o cotidiano das pessoas obesas é marcado por desafios sociais que contribuem para a manutenção dessa problemática. Assim, seja pelo preconceito, seja pela barreira entre o indivíduo e a saúde causado pela industria farmacêutica, a obesidade se configura como um grave problema social.
Em primeiro plano, a gordofobia se caracteriza como um modo de opressão enraizado. O sociólogo francês Pierre Bourdieu, consoante a Teoria do Habitus, descreve que a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e depois reproduzidos pelos sujeitos. Diante disso, o preconceito tem afetado a realidade daqueles que lidam em sua rotina com o sentimento de indiferença por não se encaixar nos padrões adotados por essa sociedade.
Ademais, a industria farmacêutica se aproveita da fragilidade dos indivíduos para vender medicamentos “milagrosos” de emagrecimento. Dessa forma, o pensamento advindo da Revolução Industrial e do modo de produção capitalista, desencadeou uma indústria que visa apenas o lucro, deixando de lado quaisquer outras preocupações. Nessa perspectiva, milhares de pessoas consomem medicamentos sem a comprovação da funcionalidade desse, indo na contramão da saúde de qualidade.
Portanto, a descriminação pelo não pertencimento de um padrão estético e o comportamento da indústria, são consequências maléficas para as pessoas. Posto isso, cabe ao Congresso Nacional, por meio da criação de leis a criminalização da gordofobia, como forma de propiciar uma vida sem exclusões diante da sociedade. Outrossim, é obrigação do Ministério da saúde, através da fiscalização da ANVISA a proibição de medicamentos que não tenham comprovação científica, afim de, distante da ficção, conceder uma vida com saúde à população obesa.