Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 06/10/2019
Dos quadrinhos para a vida real: obesidade e gordofobia na sociedade brasileira
Uma das histórias em quadrinhos mais conhecidas entre os brasileiros é a “Turma da Mônica”. A obra de Maurício de Sousa conta as aventuras de quatro amigos que vivem no bairro do Limoeiro, sendo uma delas a personagem Mônica, uma menina de dentes avantajados e considerada acima do peso, ou, como diria Cebolinha, “golducha”. Essas narrativas, mesmo que idealizadas para o público infantil, podem ilustrar um dos maiores problemas relacionados à saúde pública que o Brasil enfrenta atualmente: a saúde e o preconceito contra pessoas que estão acima do peso considerado aceitável pela sociedade.
Ao longo dos séculos, o processo de industrialização e o desenvolvimento tecnológico afetaram o modo de vida da população. As horas extensas de trabalho, os longos engarrafamentos e a necessidade de estar em continua formação intelectual - cursos, palestras, graduações, entre outros -, são alguns do empecilhos que diminuem as possibilidades de se praticar exercícios físicos, contribuindo para o aumento do sedentarismo, influenciando no ganho de peso. Outro ponto a ser ressaltado é a alimentação. Se antes produtos naturais - frutas, legumes e vegetais - eram parte recorrente dos pratos, atualmente, a necessidade de praticidade na hora de cozinhar induz diversas pessoas a escolherem alimentos industrializados, que possuem altos teores de açúcar, sal, gordura e óleo, gerando problemas de saúde que assolam a população, tais como diabetes e colesterol.
Outro problema recorrente na vida de um indivíduo obeso ou com sobrepeso, é o preconceito que sofre da sociedade. A gordofobia - termo que designa ataques contra pessoas acima do peso normal - está presente em nosso dia a dia, principalmente em redes sociais, pois os usuários sentem liberdade de disferir comentários ofensivos sem medo de represálias. Além disso, anúncios publicitários alimentam a visão de que magreza é o padrão de beleza a ser seguido, o que desencadeia severos problemas de autoestima na população.
A partir do exposto, nota-se que medidas são necessárias para que o impasse da obesidade e do preconceito contra pessoas acima do peso no Brasil seja solucionado. Para tanto, sugere-se que o Ministério da Saúde crie um projeto nas escolas para que crianças e suas famílias não só sejam expostos a exercícios físicos regulares, mas também compreendam a importância de uma boa alimentação. Aulas gratuitas de ginástica e de culinária contribuiriam para a conscientização da população, diminuindo esse grave problema de saúde pública no país.