Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 05/10/2019
A questão da obesidade no Brasil desdobra-se, hoje, em diversos campos de discussão, como a ameaça que ela representa à saúde, a discriminação taxativa contra indivíduos acima do peso e a relação entre essa condição e a disparidade social no país. Ademais, trata-se de um assunto polêmico, permeado por diversos tabus, muito em voga na atualidade, e que versa sobre um grande contingente da população brasileira, haja visto que no ano de 2018 calculou-se sobrepeso em 54% da população, e obesidade em 20%, o que só ratifica o caráter generalizante e urgente dessa problemática.
Os dados referentes à obesidade, fornecidos pelo Ministério da Saúde, apontam para uma “epidemia” dessa doença no Brasil, já que os índices crescem exponencialmente, juntamente dos riscos que ela acarreta, tais como aterosclerose, hipertensão, e infarto. Contudo, apesar de apresentar um caráter disseminatório veloz na ultima década, não se trata de uma enfermidade passiva de ser transmitida a outros indivíduos, mas sim oriunda de maus hábitos da população, cujas razões derivam tanto dos novos padrões alimentares da modernidade, como de uma questão de classe social, que priva o acesso a uma alimentação saudável a grande parte da população. Dessa forma, evidencia-se que as causas para a obesidade têm também origem econômica, já que alimentos mais calóricos, processados e “fast foods” tornam-se, não só mais acessíveis, como mais baratos para as camadas menos abastadas da sociedade, condenando-os, invariavelmente, ao sobrepeso e à obesidade.
Cabe ressaltar, ainda, que a questão da obesidade esbarra constantemente com o preconceito, denominado nesse caso “gordofobia”, do qual 92% dos brasileiros dizem já ter se valido para diminuir ou subjugar alguém, como atesta o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística. Nesse ínterim, vislumbra-se que a sociedade, mesmo em pleno século XXI, ainda nutre alicerces que sustentam uma visão de eugenia dentre os indivíduos, o que resulta na descaracterização de todo aquele que não se encaixa num padrão estético imposto por uma classe dominante.
Em suma, pode-se concluir que se fazem necessárias mudanças urgentes para subverter esse panorama, a partir de uma coadunação entre o Estado e as escolas do Brasil, para que a partir de uma precoce educação do paladar das crianças, somado à subsídios estatais para baratear o custo de uma alimentação mais saudável, os adultos das gerações subsequentes sejam mais conscientes no quesito higidez. Além disso, a questão do preconceito, em se tratando da obesidade, só pode ser mitigada até sua extinção a partir da atuação categórica do ambiente escolar no cotidiano dos alunos, com base na promoção de atividades de inclusão do próximo e palestras educativas, visando um maior entendimento acerca da temática e uma maior integração desses indivíduos à sociedade.