Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 19/09/2019

A série Insatiable da plataforma de filmes Netflix causou repercussão na mídia por conta da história que possuía um viés preconceituoso em relação à pessoas obesas. Nesse sentido, o enredo foca na vida de Patty após perder muito peso e se tornar popular e atraente de acordo com o que a sociedade dita. Fora da ficção, a realidade brasileira não é tão desconexa da apresentada no show, uma vez que os obesos ainda são vistos como fora dos padrões sociais, o que acarreta em um constante preconceito e problemas para a própria saúde.

Em função das modificações as quais o mundo está sujeito, pode-se perceber que costumes e principalmente padrões estão em constante mudança. Partindo desse pressuposto, a sociedade em uma determinada época já possui enraizado em seus mecanismos e também na cabeça dos indivíduos ideais de “como deve ser”, problemática que atinge quem não se enquadra. Nesse cenário, as pessoas acima do peso ao não caberem em assentos ou não conseguirem passar por uma catraca, estão constantemente sujeitas à demonstrações públicas de como o sistema social vigente as rejeita, possibilitando assim, margem para o preconceito de terceiros e oportunidades para que estes as faça se sentirem inferiores, o que posteriormente pode refletir em sua saúde.

Sob esse viés, uma pesquisa do estado de São Paulo revela que 77% dos jovens do referido estado representam propensão a devolver algum tipo de distúrbio alimentar, e dentre esse público, mais da metade estava com sobrepeso. Dessa maneira, a pressão constante causada pelo preconceito gera na pessoa a vontade de adequação e aceitação, contudo, as alternativas prejudiciais são sempre as procuradas, como a bulimia. Ademais os desequilíbrios psicológicos, como depressão agravam a saúde do indivíduo, o que pode trazer resultados trágicos.

Portanto, o preconceito e a saúde estão intimamente conectados e é necessário ação para que o quadro seja revertido. As prefeituras em parceria com empresas privadas, por meio da instalação de assentos, catracas que se adequem para todos os biotipos devem ampliar a acessibilidade e diminuir o desconforto passado por estes. Tais órgãos, com o apoio de Organizações Não Governamentais(ONGs), através da inclusão de palestras e minicursos na comunidade, devem conscientizar a população para respeitarem a diferença que há entre as pessoas e a não necessidade de se enquadrar em padrões. Já o Ministério da Saúde, por meio de projetos realizados com apoio também de ONGs, devem expor os perigos que há nas práticas mais recorridas para a perda de massa, assim, o número de casos do tipo, serão diminuídos.