Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 07/10/2019
Segundo o Ministério da Saúde, mais da metade da população brasileira está acima do peso. Com a democratização das informações sobre corpo, saúde e sociedade, tal dado abre espaço para inúmeros debates. Entre eles estão as causas e as consequências do aumento do peso dos brasileiros e, também, das dificuldades que o corpo gordo pode enfrentar na sociedade.
Em primeiro plano, vale ressaltar que os hábitos alimentares são o principal fator e o maior problema que gira em torno da temática. Com a globalização, famosas redes de “fast food” se tornaram muito populares em países de todo o mundo. Com isso, com o consumo desses alimentos que são pouco nutritivos e mais calóricos, houve um aumento de doenças crônicas, como as cardiovasculares e a obesidade. Esse problema, porém, se torna mais alarmante em países periféricos, pois com a queda do consumo desses alimentos em nações desenvolvidas - devido aos altos níveis de educação que interferem nos hábitos alimentares -, tem-se uma maior publicidade dessas redes de lanchonetes em locais subdesenvolvidos, o que aumenta, dessa forma, seu consumo.
Por outro lado, esse aumento de peso nem sempre está ligado à diminuição da saúde, mas ainda assim enfrenta-se muitas dificuldades na sociedade. Há, hoje, um padrão de beleza focado na magreza e que prega uma recusa ao corpo gordo. Com isso, cria-se um preconceito estrutural encontrado na inacessibilidade de roupas e assentos de transportes e na criação de estereótipos (uma associação da gordura à preguiça e ao desleixo, por exemplo). Sabe-se que a mídia é um importante formador de opiniões e é, portanto, por ela que se reforça o preconceito. Quando jornais e revistas mostram apenas o corpo magro como sinônimo de beleza e vendem o emagrecimento como felicidade, pessoas gordas se veem fora do conceito de belo e é fortalecida, na sociedade, a gordofobia.
Em suma, são necessárias medidas capazes de mitigar os problemas advindos do aumento do peso dos brasileiros. Logo, o Ministério da Educação deve propor às escolas a criação de matérias que relacionem saúde e bem-estar, aos moldes da educação crítica proposta por Paulo Freire, a fim de criar cidadãos questionadores capazes de decidir por melhores hábitos alimentares. Para que, dessa forma, o aumento do peso, evidenciado pelo Ministério da Saúde, não esteja ligado ao aumento de doenças.