Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 21/10/2020
O filme americano “Capitão Fantástico” retrata a vida de Ben Cash e seus sete filhos, que são criados longe do meio urbano e educados em casa pelo pai. De maneira análoga à ficção, a educação domiciliar se tornou uma tendência em âmbito mundial pela preferência dos pais e responsáveis a educar as crianças em casa. No entanto, essa prática ainda encontra desafios para a sua implementação no Brasil e suscita estudos sobre os seus prós e contras, para comprovar ou não sua eficácia como metodologia de ensino.
Diante desse cenário, é importante destacar, inicialmente, os benefícios ofertados pelo método de ensino domiciliar. Sob tal ótica, o ensino da maioria das escolas públicas no Brasil deixa a desejar em muitos quesitos, como infraestrutura e tecnologia e, em muitos casos, o ensino domiciliar seria mais proveitoso e eficaz, pois pode ser adaptado às necessidades e dificuldades do aluno, se tornando uma forma de combater à evasão escolar. Segundo o filósofo Kant, a educação é o maior e o mais difícil problema imposto ao homem, de modo que a escola tem sentido dificuldades em acompanhar as novas tecnologias digitais pela precariedade de investimentos.
Entretanto, no Brasil, a realidade socioeconômica da maioria populacional é um desafio no que se refere à implantação do “homeschooling”. Assim, cabe analisar que a prática seria exclusiva de famílias abastadas que detém recursos financeiros necessários para garantir uma educação de qualidade em casa para os filhos, pelo alto nível de conhecimento dos pais e pela possibilidade de contratar professores particulares. Desse modo, a escola, que serve como um instrumento de inclusão social, se tornaria um ambiente de discriminação, o que intensificaria o processo de estratificação e camarotização social vivenciada pelo Brasil atualmente.
Diante do exposto, mesmo com pontos positivos, urgem medidas que são necessárias para a execução efetiva do homeschooling no país. Para tanto, o governo, junto ao Ministério da Educação (MEC), deve realizar critérios para a regulamentação do ensino domiciliar no país por meio de uma grade comum curricular elaborada por especialistas, objetivando cumprir com as demandas de cada série escolar e homogeneizar o ensino regular e domiciliar. Além disso, é importante que o MEC fiscalize com rigor as famílias adeptas dessa prática por intermédio de avaliações de aprendizado, realizadas a cada bimestre, com o intuito de supervisionar a qualidade do ensino proporcionado às crianças. Assim, o homeschooling poderá ser empregado acentuando seus benefícios, como no filme Capitão Fantástico.