Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 23/10/2020
O filme “Extraordinário” retrata a história de um garoto portador da síndrome Treacher Collins, o que leva seus pais a decidirem educá-lo em casa, por medo de que o menino não se adeque ao espaço escolar. De forma análoga, muitos responsáveis optam pelo ensino domiciliar na hodiernidade, por motivos como a falta de infraestrutura de escolas, a baixa qualidade de ensino e as grandes distâncias, por exemplo. Faz-se necessário, portanto, debater os aspectos estruturais e sociais da questão, em prol do bem-estar coletivo.
Diante desse cenário, é importante ressaltar os motivos que influenciam pais a priorizar o ensino domiciliar, como as condições precárias das escolas brasileiras. Muitas vezes, as instituições não possuem a infraestrutura adequada para oferecer um ensino de qualidade aos alunos, sofrendo com a falta de professores qualificados e materiais didáticos. Outrossim, a distância dos centros educativos também pode configurar um agravamento da questão, visto que o tempo de deslocamento atrapalha pais e alunos. Segundo a Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), o Brasil teve um aumento de 2000% na prática, entre os anos de 2011 e 2018, o que revela a sua crescente ocorrência.
Por conseguinte, ainda convém lembrar, entretanto, como o ensino domiciliar pode ser desvantajoso, devido à incapacidade de determinar a forma como as aulas são geridas, além de impedir a socialização dos alunos. A falta de controle do Estado acerca da forma como o ensino é transmitido é prejudicial, pois impede o monitoramento do progresso dos jovens. Além disso, apenas o ambiente escolar propicia a interação com outros alunos, o que é essencial para o desenvolvimento destes. Tais ideias se relacionam ao pensamento de Arthur Schopenhauer, o qual dizia que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento acerca do mundo. Nota-se, assim, como a ausência de convivência com outros alunos pode criar “muros”, atrapalhando os jovens.
É perceptível, dessa forma, como a questão do ensino domiciliar apresenta entraves na contemporaneidade. Por isso, é imprescindível que o Governo auxilie na redução do problema, por meio do maior direcionamento de verbas ao setor da educação, as quais serão utilizadas para aprimorar a infraestrutura e adquirir os materiais necessários, a fim de garantir aos alunos melhor qualidade de estudo. Ademais, é necessário que o Estado ofereça avaliações anuais para averiguar o ensino em residências, para certificar a assimilação de conteúdo pelos jovens. Dessa maneira, será possível minimizar o problema, assegurando que os desafios enfrentados pelo filme “Extraordinário” possam permanecer apenas na ficção.