Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 16/10/2020

O filme “Capitão Fantástico” relata a história em que pais, com o intuito de livrar seus filhos da sociedade capitalista, os educam com um estilo alternativo, fora da escola e distante da sociedade. Todavia, por viverem isolados desde pequenos, mostra-se a dificuldade dos jovens ao se relacionarem com outras pessoas. Fora das telas, percebe-se que o ensino domiciliar tem ganhado cada vez mais adeptos no Brasil, motivados pela péssima qualidade da didática escolar. Contudo, a falta da frequência e do convívio dentro do colégio e, consequentemente, a dificuldade de socialização, pode ocasionar diversos obstáculos na vida da criança.

Nesse contexto, o ensino doméstico oferece um ambiente de aprendizagem diferente do encontrado dentro das escolas brasileiras nos dias atuais. Devido à falta de investimentos na educação pelo governo e a precariedade do ensino, além de, diversas vezes, prejudicar a integridade psicológica do aluno, as escolas têm se tornado cada vez mais insatisfatórias aos pais. Ademais, a possibilidade de uma pedagogia personalizada as necessidades da criança e o fortalecimento do vínculo pai e filho, tem motivado progressivamente a discussão da legalização deste método de aprendizado no Brasil.       Entretanto, apesar do ensino das instituições escolares não ser perfeito, a escola integra o jovem na sociedade, correspondendo ao lugar onde se aprende a percepção sobre o coletivo, bem como a diversidade, a respeitar o próximo e a lidar com opiniões diferentes das próprias. Outrossim, os centros de educação e ensino são os principais meios de socialização da criança, sendo de extrema importância à seu desenvolvimento. Dessa forma, ao deixá-la de fora do ambiente escolar, é notório, como mostrado no filme citado acima, a dificuldade da interação e do convívio social, podendo levá-la a sofrer preconceitos e ser excluída do corpo social.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Faz-se necessário que o Ministério de Educação desenvolva um sistema de ensino que beneficie os dois modelos de aprendizado, por meio de investimentos em uma educação de qualidade nas escolas e, através de aulas à distância àqueles que optarem pelo ensino doméstico, para proporcionar a todos os estudantes brasileiros uma condição de ensino melhor. Além disso, o MEC deve incentivar a socialização de crianças e jovens ensinadas a domicílio, por intermédio de projetos pedagógicos em parques públicos, para que, mediante as gincanas e brincadeiras, tenham maior contato social e ajude em seu desenvolvimento, evitando serem alvos de preconceitos e excluídas da sociedade.