Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 21/08/2020
O filme Capitão Fantástico narra a história de um pai que opta por educar seus seis filhos na própria casa longe das formas tradicionais de ensino presente nas escolas e demonstra como essa alternativa pode ser uma ferramenta que estimule o sucesso intelectual das crianças. Tal prática já é comum em diversos países, no entanto, no Brasil é um tema que divide opiniões e se encontra em pauta no Congresso Nacional. Diante disso, cabe analisar os fatores que beneficiariam a educação de crianças e jovens a longo prazo, como desde, por exemplo, a diminuição de custos para o Estado, até a maior viabilização de meios para obtenção do acesso e universalização da educação no Brasil.
A princípio, de acordo com dados obtidos por pesquisas realizadas pelo G1, cerca de 70% dos alunos da rede estadual terminam o ensino médio com conhecimentos precários nas áreas de português e matemática, fenômeno que pode estar relacionado com a falha do sistema de ensino em oferecer uma educação de qualidade e eficiência para os jovens. Tal fator pode ser a causa do desejo dos pais pela educação domiciliar e uma modalidade interessante para o Estado, na medida em que esse se isenta da responsabilidade de destinar grandes verbas para o setor escolar.
Outro aspecto relevante é que, de acordo com a Constituição de 1988 é direito de todos uma educação de qualidade, no entanto, de acordo com o sociólogo Pierre Bordieu, o ambiente escolar é fonte de uma violência simbólica que pode evidenciar os contrastes sociais e promover a exclusão ou outras práticas inadequadas, como bullying, por exemplo. Nesse cenário, cabe considerar que a educação domiciliar pode funcionar como um agente viabilizador e universalizador de conhecimento sem promover barreiras financeiras, de acesso e inúmeros desconfortos ou traumas sociais para o aluno.
Face ao exposto, cabe a reformulação de medidas que garantam alternativas para o acesso a educação de qualidade como a estabelecida pela Constituição Federal. Depreende-se, portanto, que o Ministério da Educação em parceria com profissionais da área de tecnologia formulem plataformas digitais e interativas que cumpram a grade curricular e fiscalizem com devido auxílio por meio de avaliações periódicas o desempenho dos estudantes. Assim, será possível, a longo prazo uma diminuição considerável de gastos pelo Estado e uma maior abrangência do ensino para todos aqueles que desejam obter conhecimento e por alguma forma não conseguem.